Olá a todos! Meu nome é Marcel e sejam bem-vindos! A mim ficou a missão de abordar temas relacionados à política e economia. Não sou um profundo conhecedor dos temas, mas gostaria de usar este espaço para expor opiniões sobre algumas questões que me inquietam. Gostaria de começar escrevendo sobre a posse de Obama, mas deixo este tema para mais tarde. Hoje pretendo discutir um pouco sobre a crise econômica que estamos vivenciando.
As origens da crise remontam ao furo da Bolha da Internet em 2001. A expansão da rede na segunda metade da década de 90 estimulou grandes investimentos no setor de tecnologia. As empresas investiram, criaram seus sites, uma estrutura de e-commerce, etc... Idéias simples como o MSN-Hotmail, Google, Yahoo!, Amazon e outras se transformaram em empresas de ponta com lucros elevadíssimos. As ações destas empresas subiram vertiginosamente e uma nova bolsa de valores específica para este mercado foi criada, a NASDAQ. Investidores dos mais diversos ramos começaram a apostar na Internet, porém a falta de estruturação do setor gerou desconfiança e logo as fontes que irrigavam as empresas pontocom secaram. Allan Greenspan, presidente do Federal Reserve (Banco Central Americano), orientou os investimentos do setor de tecnologia para o setor imobiliário diminuindo a taxa de juros e reduzindo as despesas através do sistema de hipotecas subprimes, que nada mais são do que empréstimos concedidos a famílias frágeis e sem condições. Os bancos que criaram estas hipotecas inventaram títulos com o intuito de serem negociados no mercado financeiro para outros bancos, seguradoras e outras instituições ao redor do mundo. Em 2005, após uma pequena turbulência, o FED aumentou a taxa de juros com o intuito de conter a inflação e, a partir desta decisão, o preço dos imóveis cai, o que impediu o seu refinanciamento levando milhares de clientes a se tornarem inadimplentes e fazendo com que os títulos não pudessem ser negociados a qualquer preço, gerando assim um efeito dominó que culminou no abalo do sistema financeiro internacional no segundo semestre de 2007 e na falência do Lehman Brothers, nas perdas bilionárias do Citigroup e do Merrill Lynch no final de 2008.
Muitos analistas afirmam que há uma desconfiança muito grande em relação ao rumo da economia mundial nos próximos anos. A falta de otimismo faz com que os investidores fiquem resignados em colocar dinheiro em determinado lugar pelo fato dele não ter garantias de que ele renderá. Assim sendo, as empresas com ações em bolsa de valores perdem dinheiro, precisam reestruturar seus gastos, o que gera demissões. Sendo assim, as pessoas diminuem o consumo e a economia perde em movimento e dinamismo. Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial afirma que 2009 será um ano extremamente difícil e que a economia global deve crescer por volta de 0,5%, o pior desempenho desde a Segunda Guerra Mundial. A OIT (Organização Internacional do Trabalho) prevê que o número de desempregados poderá aumentar em até 50 milhões em relação ao ano passado. Para você ter uma idéia, o número de desempregados no mundo hoje beira os 190 milhões.
Obama assumiu a presidência dos EUA com a missão de reerguer a principal e mais influente economia do planeta, o que seria de fundamental importância para a superação da crise. Até o exato momento, eu não li nada que se refere à aprovação do mega-pacote econômico de US$ 900 bilhões por parte do Senado. Em sua essência, o incentivo tem como foco o estímulo à demanda através da preservação e criação de cerca de três milhões de empregos, além de elevar o potencial para o crescimento de longo prazo através dos mais diversos tipos de investimentos. Existe um certo ceticismo por parte dos intelectuais norte-americanos acerca dos planos do novo presidente. Paul Krugman, professor da Universidade de Princeton e Nobel de Economia, acredita que o plano não é suficientemente grande e que a redução de impostos, um dos itens que buscam incentivar a criação de vagas no mercado de trabalho e, como conseqüência, o consumo, não funcionará. Ele fala que o foco principal do governo deveria ser os gastos governamentais. Greg Mankiw, professor da Universidade de Harvard e ex-diretor do Conselho de Assessores Econômicos de George W. Bush, diz exatamente o oposto, pois a situação exige medidas de rápida implementação e a redução de impostos é a que mais se encaixaria neste propósito.
Pra finalizar, eu acredito que esta seja uma grande oportunidade para refletirmos acerca dos benefícios que esta retração econômica pode trazer. Se pensarmos no meio-ambiente e no descaso do homem no que se refere a implementação de mecanismos de sustentabilidade, melhor momento não há. Estamos consumindo recursos naturais de uma maneira irresponsável e, se não mudarmos determinadas atitudes, poderemos viver em breve crises muito mais destrutivas que são as geradas por catástrofes ambientais.
Marcel Tutui Gianotti é autodidata de temas relacionados à política, economia e sociedade.
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