sábado, 2 de maio de 2009

Era da informação

5+ lidas do Folha Online às 12:26 de 28/04/2009
1. . Xuxa diz que sua altura atrapalha na hora de achar um namorado
2. Mulher é internada com sintomas de gripe suína no Rio; Brasil monitora mais 12 casos
3. Em 1º show de porte, Mallu Magalhães mostra várias facetas
4. Zapping - Christiane Torloni nega advertência
5. Estabelecimentos comerciais foram fechados na Cidade do México; ouça relato




“Já passou o tempo em que o tempo não contava.O homem de hoje não cultiva o que não pode ser abreviado.”(Paul Valéry)


A internet causou uma grande transformação em todo o setor de mídia e entretenimento que, desde então, vem se aproveitando de seus benefícios e/ou aprendendo a lidar com seus revezes. De um lado a possibilidade de atingir um grande público e a extrema rapidez na troca de informações, de outro a facilidade que deu à pirataria e também a total incapacidade de ter qualquer controle sobre os seus conteúdos, facilitando a veiculação de materiais pornográficos, a organização de grupos fascistas, ações fraudulentas, dentre outros. Em outras palavras, o uso da internet fica a cargo do discernimento de cada usuário e, de um modo geral, não há ninguém que possa ser responsabilizado pelos seus conteúdos.

Para o jornalismo, em específico, que não lida senão com informações, o advento da internet significou apenas uma coisa: a concretização de um jornalismo “em tempo real”. Ou seja, um terremoto na China, uma ação da polícia federal brasileira no interior da Amazônia ou os resultados das eleições presidenciais na França são notícias que circulam no mundo inteiro tão logo acontecem. Isso acarreta tanto na queda da qualidade dos textos em geral, pois o que importa não é o desenvolvimento dele, mas sim a sua atualidade, quanto na “baixa qualidade” da informação em si, ou seja, sua veracidade e relevância pública e/ou política.




“A informação só tem valor no momento em que é nova. Ela só vive nesse momento, precisa entregar-se inteiramente a ele e sem perda de tempo tem que se explicar nele.”
(Walter Benjamin, “O narrador”)



No entanto, não devemos ser tão ingênuos e acreditar que a única causa desta situação é a invenção da internet, esta, na verdade, apenas acelerou um processo que vem de longa data. Para Benjamin [no ensaio citado acima] a industrialização ocasionou no destaque da informação e, com isso, o declínio da narração. Enquanto a narração recorre ao miraculoso e traz saberes de terras distantes e da memória coletiva de um povo, dispondo de uma autoridade capaz de ecoar como um pacto formativo compartilhando sentidos e transformando o sujeito, a informação aspira à fidelidade e à universalidade, compartilha fatos explicados, mas que não são capazes de fazer sentido e transformar o sujeito e, de fato, são legadas ao esquecimento quando perdem o seu caráter de novidade.

Assim, a experiência é lentamente expulsa do discurso vivo e substituída pela novidade, ou pelo sensacionalismo, ou pela curiosidade insólita. De qualquer maneira o jornalismo atual parece ser incapaz de suscitar qualquer reflexão nos seus consumidores, pois ao trazer um fato pronto e acabado, assume muitas vezes um caráter unilateral e de falsa realidade. Embora com isso, se mostre assustadoramente eficaz em mobilizar opiniões e emoções em dada direção, atuando como verdadeiros “formadores de opiniões”.



“O ciclo infinito de idéias e ação
Infinita experiência, infinita invenção,
Traz o saber do movimento, mas não da paz...
Onde está a vida que perdemos vivendo?
Onde está a sabedoria que perdermos no conhecimento?
Onde está o conhecimento que perdemos na informação?”
(T.S. Eliot, “The Rock”)

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