<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463</id><updated>2009-12-11T20:18:39.342-08:00</updated><title type='text'>Poeira de Idéias</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default?orderby=updated'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;orderby=updated'/><author><name>Rafael Issa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13810598787788140553</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>36</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-978750905053907774</id><published>2009-11-22T11:22:00.000-08:00</published><updated>2009-11-22T11:22:15.165-08:00</updated><title type='text'>Dica Cinéfila: 500 Dias Com Ela</title><content type='html'>&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_tEwJl0lf0do/SwmPBzNGXUI/AAAAAAAAAI8/9Zd2jUDke5Q/s1600/500diascomela_1.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_tEwJl0lf0do/SwmPBzNGXUI/AAAAAAAAAI8/9Zd2jUDke5Q/s400/500diascomela_1.jpg" yr="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Sinopse:&lt;/em&gt; Quando Tom, azarado escritor de cartões comemorativos e românticos sem esperanças, fica sem rumo depois de levar um fora da namorada Summer, ele volta a vários momentos dos 500 dias que passaram juntos para tentar entender o que deu errado. Suas reflexões acabam levando-o a redescobrir suas verdadeiras paixões na vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Título Original:&lt;/em&gt; 500 Days Of Summer&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;País de Origem:&lt;/em&gt; EUA&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Gênero:&lt;/em&gt; Comédia Romântica&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Tempo de Duração:&lt;/em&gt; 95 minutos&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Ano de Lançamento:&lt;/em&gt; 2009&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Direção:&lt;/em&gt; Marc Webb&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Comentário:&lt;/em&gt; “O que eu fiz errado?”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois do fim de um relacionamento, essa é a pergunta que fica na cabeça da maioria das pessoas, e ficou na de Tom também. Extremamente romântico, o rapaz passou a vida toda procurando pelo amor de sua vida, até encontrá-lo em Summer, uma garota que não acredita na existência do amor. Quando o namoro acaba, Tom começa a refletir sobre os &lt;em&gt;500 Dias Com Ela&lt;/em&gt; para conseguir responder tal pergunta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O diretor, Marc Webb, é um estreante nos longas, mas já dirigiu vários videoclipes e usa sua experiência com eles na trilha sonora e na inclusão de uma cena musical, como mais um dos artifícios para mostrar como Tom está se sentindo. O filme é visto inteiramente na perspectiva do rapaz, e os fatos são mostrados conforme ele se lembra deles ou sente a necessidade de pensar neles, fazendo com que a narrativa seja não linear, com os “500 dias” indo e voltando ao longo filme.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-978750905053907774?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/978750905053907774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=978750905053907774&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/978750905053907774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/978750905053907774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/11/dica-cinefila-500-dias-com-ela.html' title='Dica Cinéfila: 500 Dias Com Ela'/><author><name>Mônica Castilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01337194125616093239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='12529412081639418966'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_tEwJl0lf0do/SwmPBzNGXUI/AAAAAAAAAI8/9Zd2jUDke5Q/s72-c/500diascomela_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-2708361113711282842</id><published>2009-10-13T20:42:00.000-07:00</published><updated>2009-10-13T20:46:56.447-07:00</updated><title type='text'>O indivíduo e o código</title><content type='html'>Alguém um dia disse que nossas idéias não são nossas, mas de um "eu" coletivo, um "eu" que absorvemos no âmago e expelimos como parte de nosso ser, dando seguimento à deflagração de um virus que contraímos e reproduzimos. Se eles são as idéias que nos trespassam, somos células que lhes dão vida e forma.&lt;br /&gt;Eis o código. Um corpo subliminar de conceitos e valores, muitas vezes inconscientes, que dá sentido e serve de referência cognitiva aos membros de um conjunto humano. Países, tribos, "estilos de vida" e até mesmo grupos de amigos carregam em si códigos ocultos que falam por seus integrantes. No cerne dos preconceitos e dos conflitos ideológicos, não estão só pulsões individuais, mas códigos em expansão.&lt;br /&gt;A relação do indivíduo com o código é flúida, dinâmica e tornou-se mais complexa nos últimos séculos com o aumento do intercâmbio entre povos e pessoas. Códigos com diferentes procedências podem circular e interagir num mesmíssimo sujeito, aliando-se, miscigenando-se ou lutando por supremacia em sua psiquê. O resultado deste eterno processo será reproduzido em seu "superego" e agirá sobre suas vontades e atitudes, remodelando-as, coibindo-as ou encorajando-as. Por trás de sua auto-estima, estará a resultante de uma relação entre códigos e pulsões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceitar o papel dos códigos na individualidade é necessário. Compreendê-los, um trabalho árduo. Se chamo um negro de "crioulo", estarei relegitimando uma relação subliminar perversa de significações com raízes históricas, sociais e culturais muito fortes. Portar-me como um anti-racista, contudo, não me impedirá de seguir caminho idêntico, dependendo da relação que eu estabeleça entre o código que me "envenenou" e minhas atitudes. Uma vez inoculado no indivíduo, o código "perverso" tende a se expandir e ganhar ares de verdade dentro dele e até bloquear valores semi-introduzidos contrários à rede de significações-base que desenvolveu. Isso, de certo modo, nos permite compreender a face mais vil da conduta perniciosa, que é quando o ofendido não se ofende pela ofensa, mas pelo eco que ela encontra dentro de si. O código tem esse poder: reproduzir-se tão bem nas "células" que dele se beneficiam quanto nas que impede de crescer. Nossa necessidade de interação e aceitação abre a alma a sua entrada desde a infância, quando mal podemos questionar sua autoridade. E ela estabelece raízes que depois interagirão com a autoridade social de grupos e meios de comunicação; todos lutando por nossa alma. Conflitos de poder ocorrerão dentro e fora do indivíduo, mediarão relações entre pessoas, grupos, nações.&lt;br /&gt;Desfazer o estrago de um código inadequado requer anos e exige, entre outras coisas, longas reflexões e buscas por novos sistemas de valores. Diversidade e criatividade são palavras-chave nesse processo, seja ele individual ou coletivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Luiz Mendes Junior é formado em Comunicação Social. Ele escreve para a Revista Sina e o blog "&lt;a style="color: rgb(0, 0, 0);" href="http://www.noticiasdofront3.blogspot.com/"&gt;notícias do front 3&lt;/a&gt;"&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-2708361113711282842?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/2708361113711282842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=2708361113711282842&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/2708361113711282842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/2708361113711282842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/10/o-individuo-e-o-codigo.html' title='O indivíduo e o código'/><author><name>Luiz Mendes Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18088033048533637004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='13384697408591195726'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-2747726936980730258</id><published>2009-09-21T16:13:00.001-07:00</published><updated>2009-09-21T16:13:46.728-07:00</updated><title type='text'>A obra intangível (Mário Sérgio Cortella)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma das mais saborosas histórias – provavelmente lendária – sobre o advento da sabedoria para aqueles que conseguem maturar, sem sofreguidão, a experiência de vida, é a que se conta a respeito do notável pintor francês Auguste Renoir. No ano em que se iniciava o século 20, ele, já sexagenário e bastante afamado pela vitalidade que deu ao Impressionismo, foi procurado por um jovem admirador interessado em aprender as artes do desenho. Porém, alegando um tempo escasso para tal empreitada, o apressado discípulo desejava saber quanto tempo duraria o aprendizado, pois ficara animado ao ver que o grande mestre fora capaz de fazer uma bela pintura com delgadas pinceladas, mas com uma rapidez assombrosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nesse instante que a resposta de alguém que é um sábio consistente ultrapassa o senso comum e o óbvio, gerando o novo (em vez de produzir mera novidade, como muitos hoje súbita e debilmente famosos). Diz Renoir: “Fiz este desenho em 5 minutos, mas demorei 60 anos para conseguí-lo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estupendo! E faz emergir uma grande questão: como avaliar em um trabalho ou obra o intangível percurso e experiência anterior que foram necessários para que o resultado tangível possa ser recompensado, remunerado, apreciado? Quanto vale o trabalho de um artesão, uma cozinheira, um mecânico, um médico, uma professora, um palestrante, uma cientista, uma jornalista, uma música etc.? Quanto vale um pequeno texto? Uma consulta médica com duração de vinte minutos? Uma palestra? Uma aula? Um aperto veloz em alguns parafusos? Uma rápida massagem? Um cavalinho artesanal feito de barro? Um cesto indígena? Uma camisa bem passada? Uma consulta jurídica pelo telefone?&lt;br /&gt;O critério com o qual costumamos atribuir valor ao objeto ou serviço que será adquirido ou apreciado está apoiado especialmente na observação do tempo consumido para realizá-lo ou na suposta dificuldade momentânea de elaboração; no entanto, para escapar de uma postura superficial é necessário lançar mão de um outro critério: a percepção do peso da raridade, do insólito, do invulgar ou, tal como se fala cada vez mais, da expertise e perícia de alguém em alguma atividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma antiga historinha, por muitos difundida, e que serve para exemplificar o valor de uma intensa habilidade, e o quanto nem sempre ela é reconhecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta-se que em uma imensa fábrica nos EUA, funcionando o tempo todo por 24 horas ininterruptas, plena de mecanismos sofisticados, máquinas avançadas e equipamentos hidráulicos de última geração, ocorreu uma pane desconhecida. De pronto, sem qualquer aviso, todo o sistema ficou paralisado. Ora, cada minuto era precioso, tendo em vista a perda acelerada de dólares que a parada causava. A engenharia de manutenção e o suporte técnico foram imediatamente chamados, os especialistas examinaram todas as estruturas possíveis, os relógios informatizados e as planilhas de operação foram vasculhados e, nada... O defeito não era localizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa-se um dia, dois e, no terceiro, com a direção já desesperada, prefere-se convocar dois técnicos do Japão que, um dia após a chegada e a inspeção, já tinham desistido. No sexto dia, tarde da noite, reúne-se a desanimada diretoria, à beira do colapso criativo e próxima o imenso prejuízo acumulado; num determinado momento um dos diretores diz: “Lembrei-me de uma coisa! Há um velho encanador que trabalha há mais de 50 anos nesta cidade. Quem sabe, como recurso extremo, ele nos ajuda”. Sem alternativa, chamam o antigo profissional, que, com sua maletinha de ferro já desgastada, caminha silencioso por toda a fábrica e, de repente, perto da área central, pára, abaixa-se, coloca o ouvido no piso e dá um leve sorriso. Tira, então, da maleta um martelo de borracha e, com ele, dá uma pancada no chão. Tudo volta a funcionar. Júbilo, alegria, vivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gerente financeiro, depois de abraçar efusivamente o encanador, pergunta pelo custo do serviço; ele responde que são mil dólares. O gerente, atordoado, retruca: “Mil dólares por uma marteladinha? Não dá; não vão aceitar. Faça, por favor, uma nota fiscal detalhando todo o seu trabalho aqui”. O velhinho não se incomoda; preenche o documento e o entrega ao gerente, que lê a discriminação: “a) dar a marteladinha, 1 dólar; b) saber onde dar a marteladinha, 999 dólares”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mário Sérgio Cortella é filósofo e professor-titular do Departamento de Teologia e Ciências da Religião da PUC-SP&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-2747726936980730258?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/2747726936980730258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=2747726936980730258&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/2747726936980730258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/2747726936980730258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/09/obra-intangivel-mario-sergio-cortella.html' title='A obra intangível (Mário Sérgio Cortella)'/><author><name>Marcel Tutui Gianotti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13533897041928800685</uri><email>mtgianotti5@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00065908489349695244'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-5401021975844806001</id><published>2009-09-09T11:34:00.001-07:00</published><updated>2009-09-09T11:42:50.176-07:00</updated><title type='text'>Dica Cinéfila: As Horas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_tEwJl0lf0do/Sqf1ZIJD9lI/AAAAAAAAAG4/EiPx9s9G-Uw/s1600-h/AsHoras.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5379538091948373586" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 205px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_tEwJl0lf0do/Sqf1ZIJD9lI/AAAAAAAAAG4/EiPx9s9G-Uw/s320/AsHoras.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Sinopse: &lt;/em&gt;Em três períodos diferentes vivem três mulheres ligadas ao livro "Mrs. Dalloway". Em 1923 vive Virginia Woolf, autora do livro, que enfrenta uma crise de depressão e idéias de suicídio. Em 1949 vive Laura Brown, uma dona de casa grávida que mora em Los Angeles, planeja uma festa de aniversário para o marido e não consegue parar de ler o livro. Nos dias atuais vive Clarissa Vaughn, uma editora de livros que vive em Nova York e dá uma festa para Richard, escritor que foi seu amante no passado e está morrendo devido à Aids.&lt;/div&gt;&lt;em&gt;Título Original: &lt;/em&gt;The Hours&lt;br /&gt;&lt;em&gt;País de Origem:&lt;/em&gt; EUA&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Gênero:&lt;/em&gt; Drama&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tempo de Duração: &lt;/em&gt;114 minutos&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ano de Lançamento:&lt;/em&gt; 2002&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Direção:&lt;/em&gt; Stephen Daldry&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Comentário:&lt;/em&gt; O filme baseia-se no livro As Horas, de Michael Cunningham, que, por sua vez, se inspirou no romance Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf. O enredo trata da história de três mulheres que carregam em suas vidas muitos sentimentos em comum. São retratos de épocas diferentes, que se entrelaçam através do livro Mrs. Dalloway, mostrando uma mulher que gostaria de ser uma personagem de um romance, uma que o escreve (a própria Virginia Woolf) e outra que o vive. As lutas e sofrimentos vivenciados por elas são universais e todas lutam para dar sentido à suas existências, levantando temas como a morte e as escolhas individuais, descobrindo que nem sempre a vida é aquela que esperamos.&lt;br /&gt;Para o diretor Stephen Daldry, a essência de As Horas é o seu profundo respeito pelas mulheres e os desafios que enfrentaram ao longo dos turbulentos e imprevisíveis acontecimentos do século XX. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-5401021975844806001?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/5401021975844806001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=5401021975844806001&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/5401021975844806001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/5401021975844806001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/09/dica-cinefila-as-horas.html' title='Dica Cinéfila: As Horas'/><author><name>Mônica Castilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01337194125616093239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='12529412081639418966'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_tEwJl0lf0do/Sqf1ZIJD9lI/AAAAAAAAAG4/EiPx9s9G-Uw/s72-c/AsHoras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-2703404600136306238</id><published>2009-09-03T12:15:00.000-07:00</published><updated>2009-09-09T08:45:30.944-07:00</updated><title type='text'>A dupla dimensão do homem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Entre os anos de 1509 e 1510 Rafael di Sanzio (1483-1520), artista italiano do período renascentista, pintou &lt;em&gt;Escola de Atenas&lt;/em&gt;, quadro onde diversas personalidades da filosofia - entre elas Pitágoras, Heráclito, Epicuro etc - são retratadas em um mesmo ambiente. Ao centro, em merecido destaque, dois dos maiores pensadores da antiguidade: Platão (428-347 a.C.) e Aristóteles (384-324 a.C.), lado a lado. Com uma das mãos, Platão segura seu livro &lt;em&gt;Timeu&lt;/em&gt;, com a outra, aponta o dedo para cima. Já Aristóteles segura sua obra &lt;em&gt;Ética a Nicômaco&lt;/em&gt; em uma das mãos e, com a outra, aponta para frente. O dedo de Platão apontado para o alto faz menção à sua filosofia centrada na concepção de que, além deste mundo sensível e imperfeito em que vivemos, existe um mundo superior ao nosso - o Mundo das Idéias, um mundo ideal, imaterial e perfeito [1]. A mão de Aristóteles apontada para a frente é uma referência ao seu pensamento empiricista, focado no próprio mundo sensível e não numa realidade transcendente. Uma mão apontada para o Céu, outra para a Terra. De um lado uma metafísica, de outro uma física. Talvez nenhuma outra imagem represente tão bem a condição humana quanto esta em que Rafael di Sanzio explicita a dicotomia entre o transcendental e o mundano. Ser homem é ser dividido em dois. É ser alma, é ser corpo. É ser interioridade imaterial, é ser carne. É imaginação, é ação. É amar, é desejo erótico. É olhar para o céu e se perguntar "qual o sentido da vida?", é ter uma conta no banco para pagar. É fantasia, é cotidiano. É ser barroco. É, nas palavras do teólogo brasileiro Leonardo Boff, ser águia e ser galinha [2]. É, como diz o belíssimo poema &lt;em&gt;Traduzir-se, &lt;/em&gt;do poeta brasileiro Ferreira Gullar, ser uma parte "que se espanta" e outra "que almoça e janta". Ser homem é ter acesso aos prazeres carnais inacessíveis à, por exemplo, um anjo. Ser homem é ter a possibilidade de se alegrar e sentir-se em paz, estados de espírito inacessíveis à, por exemplo, um cachorro. Mas é também angústia, sentimento do qual anjos e animais estão livres, segundo o teólogo dinamarquês Sören Kierkegaard (1813-1855) [3]. Ser homem é também ser portador de um corpo sujeito a adoecer ou sofrer alguma violência, e destinado a envelhecer e desaparecer. A definição de homem dada pela filosofia ("o homem é um animal racional") aponta essa duplicidade da condição humana. O homem é um animal, mas um &lt;em&gt;animal racional&lt;/em&gt;. Tanto quanto um animal irracional (tomemos novamente o exemplo do cachorro), o homem precisa de alimento para manter seu corpo vivo. Mas, distintamente do cachorro, o homem pode &lt;em&gt;pensar&lt;/em&gt;, isto é, possui um universo interior, uma &lt;em&gt;alma&lt;/em&gt;, o que lhe abre um leque de possibilidades (tanto em direção à alegria, quanto em direção à tristeza). O anjo não sente dor nem prazer físico. O animal (irracional) não sente dor nem prazer espiritual. Ser homem é sentir dores físicas e espirituais, e prazeres físicos e espirituais; é ser um pouco animal, um pouco anjo, sem ser nenhum dos dois. É, assim, não estar livre de nada, e ser livre para tudo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373387003100092882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 244px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SpIbAoh7WdI/AAAAAAAAAsU/Qq75Ycci1JE/s320/escoladeatenas3.jpg" border="0" /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O quadro Escola de Atenas, de Rafael di Sanzio.&lt;/span&gt; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373388794604119954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 153px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SpIco6ZxZ5I/AAAAAAAAAsk/qrJcLMB-rD0/s200/plataoaristoteles.jpg" border="0" /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;No centro do quadro Escola de Atenas, Rafael di Sanzio retrata o filósofo grego Platão apontando o dedo para cima, indicando um mundo transcendente ao nosso, e o filósofo grego Aristóteles apontando a mão para a frente, indicando nossa realidade sensível.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A alma como intermediária&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Em obra entitulada &lt;em&gt;Teologia Platônica&lt;/em&gt;, o filósofo italiano Marsílio Ficino (1443-1499), um neoplatônico cristão, afirma que o homem é justamente um ser intermediário entre o animal e o anjo. Nesse sentido, a &lt;em&gt;alma&lt;/em&gt; &lt;em&gt;humana&lt;/em&gt; seria um elo de ligação entre nosso mundo material (existente no tempo e no espaço) e um mundo superior, divino, espiritual, transcendente ao tempo-espaço, plano aonde estariam os anjos e Deus. Em outras palavras: a alma do homem teria "um pé no Céu", por sua própria natureza imaterial, e "um pé na Terra", à medida em que está atrelada ao corpo [4]. É, portanto, nas palavras de Ficino, uma &lt;em&gt;copula mundi&lt;/em&gt;, o centro do universo, o elo de ligação entre o espiritual e o material [5]. Portanto, de todas as coisas presentes em nosso mundo, a interioridade humana é aquela que "mais se aproxima" da natureza de Deus, é o que faz o homem ser um Imago Dei (imagem de Deus). Como Deus, podemos amar, como Deus, temos inteligência (embora o amor e a inteligência de Deus sejam plenos e perfeitos, ao contrário do que acontece com o ser humano). Sem uma interioridade, sem aquilo que o filósofo francês René Descartes (1596-1650) chamou de "substância espiritual", o homem não seria sequer capaz de amar Deus ou pensar em Deus (não apenas amar Deus ou pensar em Deus, mas pensar ou sentir em abstrato qualquer tipo de coisa). O teólogo medieval Anselmo (1033-1109), de Aosta (região da Itália), defendeu a tese de que a possibilidade de &lt;em&gt;pensar em Deus&lt;/em&gt; é justamente o que prova &lt;em&gt;Sua&lt;/em&gt; existência. O argumento - posteriormente usado por Descartes [6] - é o de que se um ser imperfeito (o homem) não poderia pensar um ser perfeito (Deus) por si só, sem que isso tenha sido uma aptidão fornecida pelo próprio &lt;em&gt;Perfeito&lt;/em&gt;. Mais do que isso: o ser imperfeito não poderia pensar qualquer perfeição sem que essa perfeição &lt;em&gt;exista&lt;/em&gt;, já que o conceito de perfeição está atrelado ao de existência. Afinal, uma coisa não pode ser perfeita sem existir de fato [7]. A tese, evidentemente, é polêmica, e foi refutada mais tarde pelo filósofo alemão Emanuel Kant (1724-1804). Utilizo-a aqui com fim de mostrar como muitos pensadores viam a mente humana como uma via de acesso à um mundo transcendente ao nosso, como uma espécie de "porção da transcendentalidade". Aurélio Agostinho (354-430 d.C.), mais conhecido como Santo Agostinho, filósofo medieval e cristão, nascido em Tagaste (na atual Argélia), é autor da frase "&lt;em&gt;Não vás fora, entra em ti mesmo: no homem interior habita a verdade&lt;/em&gt;" ("&lt;em&gt;Noli foras ire, in teipsum redi: in interiore homine habitat veritas&lt;/em&gt;"); acreditava que o homem só poderia, em vida, aproximar-se de Deus pela introspecção. Isto é, Deus não pode ser encontrado nas coisas exteriores, mas sim "dentro do meu eu". No décimo livro de &lt;em&gt;As Confissões&lt;/em&gt;, Agostinho afirma que a interioridade humana é um imenso e infinito santuário. Algo semelhante foi dito pelo italiano Tomás de Áquino (1221-1274), também filósofo medieval e cristão: "&lt;em&gt;Aproximamo-nos de Deus não por passos corporais, mas pela consideração da mente&lt;/em&gt;" ("&lt;em&gt;Ad Deum non acceditur passibus corporalibus (...) sed affectibus mentis&lt;/em&gt;"). Acreditava que a razão humana tinha como uma finalidade intrínseca ir ao encontro da verdade divina.&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Entre o limitado e o ilimitado&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A interioridade humana é, pois, um paradoxo. Busca uma elevação "para o alto", mas é constantemente puxada "para baixo" pela sua ligação com a exterioridade. Em seu esplêndido &lt;em&gt;Livro do Desassosego&lt;/em&gt;, o poeta português Fernando Pessoa (1888-1935) afirma que toda ação é uma "doença do pensamento". Isto é, toda ação é uma &lt;em&gt;ação no mundo; &lt;/em&gt;agir é colocar-se em relação com a exterioridade. É, portanto, na ótica de Bernardo Soares (o Eu-lírico em &lt;em&gt;Livro do Desassosego&lt;/em&gt;) exilar-se "do meu eu interior", sair "de mim mesmo" [8]. A interioridade humana se põe entre o ilimitado e o limitado; meu corpo não pode se deslocar de uma cidade para outra com a mesma rapidez com que minha mente o faz. Nada me impede que, &lt;em&gt;em pensamento&lt;/em&gt;, eu abra a janela do meu quarto e saia voando universo afora. Aqui minha alma "aspira" ao ilimitado, "ensaia" e "esboça" uma ilimitação, um vôo de águia, mas &lt;em&gt;não é&lt;/em&gt; ilimitada, pois tem um laço com a exterioridade que impõe certos limites ao "eu interior". Não apenas minhas ações são condicionadas pelo que diz esse "meu eu interior", como também o "meu eu interior" se condiciona por circunstâncias externas à mim - daí a frase do filósofo espanhol Ortega y Gasset (1883-1955), "eu sou eu e minha circunstância". Mesmo quando almeja transcender o mundo material, minha alma está sempre atrelada à esse mundo material. Quando faço em minha mente a imagem de um Deus "velhinho barbudo", estou entre o ilimitado e o limitado. Por um lado procuro o Transcendente e medito sobre Ele; por outro, faço Dele uma representação dependente da minha percepção sensível, isto é, represento Deus com uma imagem de homem [9]. &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O mundo íntimo do homem é vasto&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O mundo íntimo do homem é vasto. Mais vasto do que o espaço geográfico, segundo o filósofo francês Gaston Bachelard (1884-1962). Tão vasto que o personagem Bernardo Soares (citando novamente o &lt;em&gt;Livro do Desassossego&lt;/em&gt;, de Fernando Pessoa), não almeja uma outra vida que não uma vida interior [10]. A interioridade humana é tão vasta que, para o alemão Sigmund Freud (1856-1939), mundialmente conhecido como o pai da psicanálise, ela possui uma esfera inconsciente, obscura, que não se revela à nós de modo integral, mas somente de modo parcial, por meio de alguns atos falhos [11], pelo acompanhamento psicanalítico, e também pela simbologia complexa dos sonhos [12]. Descartes valeu-se dos sonhos para argumentar que o mundo interior de um homem é a única coisa capaz de provar sua própria existência, e que os sentidos, a existência material, não pode isso. Se, ao sonhar, posso me enganar e crer que meu sonho é vida real, por que não poderia ocorrer o contrário? Se, dormindo, acredito que meu sonho é realidade, o que garante que, acordado, também não estou cometendo um equívoco? O que garante que essa existência que tenho supostamente acordado não é uma existência ilusória, uma espécie de sonho? O que garante que, por exemplo, as árvores que vejo na rua não são coisas sonhadas e sim coisas reais? Descartes está aí aplicando a dúvida metódica, isto é, está duvidando de absolutamente tudo, buscando uma primeira verdade irrefutável, algo do que não se pode duvidar, algo cuja existência é mais certa do que a existência do próprio mundo sensível. E, duvidando de tudo, Descartes encontra essa primeira verdade induvidável: a própria dúvida. Eu posso duvidar de tudo, menos de que estou duvidando. Logo, eu penso. Se penso, existo [13]. Posso fingir não ter um corpo, mas não posso fingir não estar pensando (se finjo não estar pensando, já estou pensando). O dualismo cartesiano afirma que existe a substância espiritual, a &lt;em&gt;res cogitans&lt;/em&gt;, a mente, e a substância material, a &lt;em&gt;res extensa &lt;/em&gt;(extensão da mente, isto é, tudo aquilo que não é mente), o mundo material. É a res cogitans (meu &lt;em&gt;eu interior&lt;/em&gt;) que, para Descartes, garante a minha existência, e não o mundo sensível, que poderia me enganar. Aqui, a alma humana é vista como um mundo muito mais real do que o mundo da matéria. Para Platão, dualista como Descartes, porque o mundo da intimidade conteria em si um "parentesco" com um mundo superior (super real) à este. De qualquer forma, nem Descartes nem Platão negam que o mundo interior não é o único mundo existente: há uma exterioridade que não pode ser ignorada. Uma vida rica em beleza não deve ser uma vida "espiritualizada", apartada das questões mundanas; nem uma vida onde, extremamente intimistas (talvez excessivamente ocupados com nossas fantasias, nossos sonhos, nossas grandes dúvidas), sejamos pouco ativos no mundo concreto. Uma vida rica em beleza não é a vida de um Kant, capaz de construir um monumental sistema filosófico, mas incapaz de se aventurar para fora de sua cidade natal (no caso de Kant, Königsberg). Por outro lado, uma vida rica em beleza também não é uma vida provida de grande movimentação, de grandes acontecimentos, de grandes diversões, mas interiormente pobre, pouco explorada, incapaz de voar. Uma vida rica em beleza é aquela na qual somos capazes de viver intensamente as dimensões galinha e águia; aquela em que filosofamos e tomamos sorvete. É não se abstrair do cotidiano, e nem se deixar engolir por ele. Uma vida rica em beleza é, talvez, aquela proposta pelo protagonista (cujo nome não é revelado na obra) do livro &lt;em&gt;Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas&lt;/em&gt;, de autoria do (ainda vivo) filósofo norte-americano Robert Pirsig: a vida de um homem capaz de se aventurar estrada afora em cima de uma motocicleta, e capaz de empreender uma excitante viagem dentro de si mesmo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Notas&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[1] Mas que relação esse mundo superior (metafenomênico, isto é, que está "além dos fenômenos do mundo sensível") teria com nosso mundo material (o mundo fenomênico)? Ele é, segundo Platão, a causa do nosso mundo material, o modelo no qual o demiurgo, o deus platônico, teria utilizado para criar todo o cosmos, no qual se insere nosso planeta. O Mundo das Idéias, portanto, &lt;em&gt;inspirou&lt;/em&gt; o demiurgo a, como um artesão, moldar o cosmos. É justamente no seu diálogo &lt;em&gt;Timeu&lt;/em&gt; (livro que Platão segura numa das mãos na tela de Rafael di Sanzio) a obra em que se apresenta o que seria origem do mundo sensível (e como modelo do mundo inteligível). Convém dizer que o demiurgo não é pensado por Platão como um deus pessoal que, assim como o Deus cristão, &lt;em&gt;conscientemente&lt;/em&gt; cria o cosmos, a Terra, os seres vivos. O demiurgo não é "uma pessoa", é apenas um artesão inconsciente que molda o mundo sensível utilizando o mundo imaterial como modelo. No Mundo das Idéias (mundo imaterial) o que existem são as essências perfeitas das coisas que existem de modo imperfeito no mundo sensível. Por exemplo: enquanto homem de carne e osso existo de modo imperfeito no mundo sensível (tanto é que o meu corpo está fadado a perecer cedo ou tarde). A minha essência (perfeita e ideal) estaria no mundo superior. Neste sentido, todos os homens de carne e osso são causados por esse modelo ideal de homem existente no Mundo das Idéias. Da mesma forma como todas as árvores que existem de modo imperfeito em nosso mundo sensível foram causadas por um modelo ideal de árvore existente no Mundo das Idéias. Segundo Platão, todo o nosso mundo sensível é uma cópia imperfeita do mundo superior, que é perfeito. Mesmo atrelado à um modelo perfeito, o mundo sensível é imperfeito - e é imperfeito justamente por ser um mundo sensível. O que faz do nosso mundo sensível um mundo imperfeito, segundo Platão, é justamente o fato desse mundo estar atrelado à matéria. Matéria é sinônimo de imperfeição no platonismo; a matéria é perecível, o corpo morre, os sentidos são fontes de erros&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;. É exercitando seu intelecto (sua alma), e não tentando conhecer as coisas pelos sentidos do corpo, que, de acordo com Platão, o homem pode se aproximar um pouco mais do mundo superior. Enquanto o corpo se identifica com o mundo material, a alma humana - que é imaterial - se identifica com o mundo superior. Em seu diálogo &lt;em&gt;Fédon&lt;/em&gt;, essa identificação entre alma humana e mundo superior é utilizada por Platão como um dos argumentos para demonstrar que a alma, ao contrário do corpo humano, é imortal. A idéia é de que tudo aquilo que é material perece, e tudo aquilo que é imaterial permanece; sendo a alma imaterial, ela não morre, permanece após a morte do corpo. Mas mais do que isso: assim como o mundo superior precede o mundo sensível, a alma é não apenas sobrevivente ao corpo, mas também &lt;em&gt;anterior&lt;/em&gt; à ele. Segundo Platão, a alma humana teve oportunidade de contemplar as idéias perfeitas do mundo superior antes de encarnar em um corpo. Ao encarnar em um corpo, misturando-se com a matéria, a alma "esquece" daquilo que aprendeu no Mundo das Idéias. O exercício intelectual, desgarrado dos "enganos" dos sentidos, é a maneira do homem &lt;em&gt;recordar-se&lt;/em&gt; daquilo que sua alma contemplou antes de encarnar, isto é, antes do nascimento do homem de carne e osso propriamente dito. Há, portanto, em Platão, uma correlação entre alma e mundo inteligível, e entre corpo e mundo sensível. A alma humana traria em si, de forma oculta, as essências do mundo inteligível. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[2] "&lt;em&gt;Ao ver uma galinha e uma águia, você vai ver mais que uma galinha e uma águia. Você vai se confrontar com duas dimensões fundamentais da existência humana. A dimensão do enraizamento, do cotidiano, do prosaico, do limitado: o símbolo da galinha. A dimensão da abertura, do desejo, do poético, do ilimitado: o símbolo da águia&lt;/em&gt;". (BOFF, Leonardo.&lt;em&gt; A Águia e a Galinha&lt;/em&gt;) &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[3] "&lt;em&gt;Se o homem fosse um animal ou um anjo, não poderia se angustiar. Mas, posto que é uma síntese, pode se angustiar&lt;/em&gt;". (KIERKEGAARD, Sören. &lt;em&gt;O Conceito de Angústia&lt;/em&gt;). Na concepção cristã, o homem tem uma semelhança física com os animais, e uma semelhança espiritual com Deus. É, portanto, dicotômico, intermediário. É também intermediário em nível de conhecimento. Sabe mais do que um animal (visto que o animal não tem consciência alguma), mas não sabe tanto quanto um anjo (que vê de maneira plena). O homem, nas palavras do apóstolo Paulo, "vê em parte, obscuramente, como em um espelho" (1 &lt;em&gt;Coríntios&lt;/em&gt; capítulo 13, versículo 11). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[4] "&lt;em&gt;A alma é tal que se agarra às coisas superiores sem deixar as inferiores; e assim nela se ligam as coisas superiores com as inferiores. De fato, ela é imortal e móvel, e, portanto, de um lado concorda com as coisas superiores, do outro, com as inferiores. E se concorda com ambas, deseja ambas (...) É ela que se insere entre as coisas mortais sem ser mortal; posto que se insere íntegra, e não dividida, e assim mesmo, íntegra e não dispersa, dele se retira. E uma vez que, enquanto sustenta os corpos, adere também ao divino, é senhora dos corpos, não companheira. Esse é o máximo milagre da natureza&lt;/em&gt;". (FICINO, Marsílio. &lt;em&gt;Teologia Platônica&lt;/em&gt;)&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[5] Convém dizer que Ficino é um pensador que se insere num período de transição entre o medievo e a modernidade. É, portanto, ainda um filósofo cristão (medieval), mas que num certo sentido já revela em seu pensamento o espírito antropocêntrico típico da era moderna. Mesmo considerando a existência de um mundo superior habitado por anjos e por Deus, ao apontar a alma como o &lt;em&gt;centro&lt;/em&gt; do universo, Ficino já assume uma posição moderna, que é a da centralidade da razão (alma) humana. Neste sentido, poderíamos dizer que a filosofia de Ficino é um meio-termo entre o pensamento do medieval Agostinho e do moderno Descartes. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[6] A diferença entre Anselmo e Descartes, no caso, é que enquanto o primeiro utiliza o argumento ontológico para tentar provar a existência do Deus cristão, o segundo refere-se ao "deus Razão", o "deus" da filosofia (embora Descartes, no que diz respeito às questões religiosas, tenha procurado não se indispor com a Igreja Católica).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[7] Nota-se aqui a influência do pensamento de Platão no argumento cristão de Anselmo (o platonismo, de um modo geral, sempre inspirou a filosofia cristã, ao ponto de Ficino não ver nenhuma contradição entre ambas as vertentes). Platão acreditava (conforme vimos na nota 1) que para toda coisa imperfeita existente no mundo sensível haveria uma essência perfeita correspondente no mundo transcendental. Por exemplo: em Platão, a ação justa de um homem em seu cotidiano é uma ação, embora justa, imperfeita, já que é parte de um mundo imperfeito por si só. A essência perfeita de Justiça estaria no Mundo das Idéias, na imaterialidade. A ação justa do mundo sensível copia, portanto, imperfeitamente, a essência perfeita de Justiça do mundo inteligível. É, portanto, vã a ação justa? Diria Platão: não, pois a ação justa na sensibilidade faz que nos aproximemos (&lt;em&gt;participemos&lt;/em&gt;) da essência perfeita e inteligível de Justiça. Assim como, citando um outro exemplo, uma boa ação na sensibilidade nos aproxima da idéia perfeita de Bem na inteligibilidade. Em suma, toda a imperfeição no platonismo possui uma perfeição que lhe é correlata. Para o cristianismo de Anselmo, Deus é a "versão perfeita" do humano imperfeito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[8] "&lt;em&gt;A ação é uma doença do pensamento, um cancro da imaginação. Agir é exilar-se. Toda a ação é incompleta e imperfeita. O poema que eu sonho não tem falhas senão quando tento realizá-lo&lt;/em&gt;". (PESSOA, Fernando. &lt;em&gt;Livro do Desassossego&lt;/em&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[9] Na terceira seção de um livro chamado &lt;em&gt;Investigação Acerca do Entendimento Humano&lt;/em&gt;, o filósofo escocês David Hume (1711-1776) argumenta que, embora pareça não haver limites para o pensamento humano, a mente não faz nada mais do que combinar materiais fornecidos pelos sentidos e pela experiência no mundo sensível. Nesse sentido, as idéias seriam apenas cópias das impressões. É a tese do empirismo: todo conhecimento advém exclusivamente da experiência sensível. Embora tenha se inspirado no pensamento humiano (e seja, tanto quanto Hume, um crítico da metafísica), Kant admite - em A&lt;em&gt; Crítica da Razão Pura&lt;/em&gt; - que a razão humana "se vê atormentada por questões" impostas pela sua própria natureza. Ou seja, para Kant, nos questionamos acerca de temas como Deus, imortalidade da alma e liberdade porque é &lt;em&gt;da natureza&lt;/em&gt; da mente assim fazê-lo, e não por conta de conhecimentos extraídos na experiência sensível, como achava Hume. Em suma: Hume apresenta uma exterioridade que molda a interioridade (de modo que as experiências no mundo é quem teriam suscitado as aspirações metafísicas), e Kant uma interioridade naturalmente (apriorísticamente) voltada às questões metafísicas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[10] "&lt;em&gt;Nunca pretendi ser senão um sonhador. A quem me falou de viver nunca prestei atenção. Pertenci sempre ao que não está onde estou e ao que nunca pude ser. Tudo o que não é meu, por baixo que seja, teve sempre poesia para mim. Nunca amei senão coisa nenhuma. Nunca desejei senão o que nem podia imaginar. À vida nunca pedi senão que passasse por mim sem que eu a sentisse. Do amor apenas exigi que nunca deixasse de ser um sonho longínquo. Nas minhas próprias paisagens interiores, irreais todas elas, foi sempre o longínquo que me atraiu, e os aquedutos que se esfumam — quase na distância das minhas paisagens sonhadas, tinham uma doçura de sonho em relação às outras partes de paisagem — uma doçura que fazia com que eu as pudesse amar&lt;/em&gt;". (PESSOA, Fernando. &lt;em&gt;Livro do Desassossego&lt;/em&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[11] &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ato_falho"&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Ato_falho&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[12] "&lt;em&gt;De onde provêm algumas das particularidades que encontramos nos pensamentos dos sonhos, por exemplo, a possibilidade da contradição recíproca? Pode o sonho ensinar algo de novo sobre os nossos processos psíquicos íntimos, pode o seu conteúdo corrigir opiniões nas quais acreditamos durante o dia?&lt;/em&gt;". (FREUD, Sigmund. &lt;em&gt;A Interpretação dos Sonhos&lt;/em&gt;). Para Freud, nossos sonhos seriam uma via de acesso ao insconsciente.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[13] "&lt;em&gt;Tomei a decisão de fingir que todas as coisas que antes me entraram na mente não eram mais reais que as ilusões dos meus sonhos. Mas, logo depois, observei que, enquanto eu desejava considerar assim como tudo sendo falso, era obrigatório que eu, ao pensar, fosse alguma coisa. Percebi, então, que a verdade penso, logo existo era tão sólida e tão exata que sequer as mais extravagantes suposições dos céticos conseguiriam abalá-la E, assim crendo, concluí que não deveria ter escrúpulo em aceitá-la como sendo o primeiro princípio da filosofia que eu procurava&lt;/em&gt;". (DESCARTES, René. &lt;em&gt;O Discurso do Método&lt;/em&gt;)&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Dicas de leitura&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;Timeu&lt;/em&gt; (Platão), &lt;em&gt;Fédon&lt;/em&gt; (Platão), &lt;em&gt;Ética a Nicômaco&lt;/em&gt; (Aristóteles), &lt;em&gt;A Águia e a Galinha&lt;/em&gt; (Leonardo Boff), &lt;em&gt;O Conceito de Angústia&lt;/em&gt; (Sören Kierkegaard), &lt;em&gt;Teologia Platônica&lt;/em&gt; (Marsílio Ficino), &lt;em&gt;Proslogion&lt;/em&gt; (Santo Anselmo), &lt;em&gt;A Cidade de Deus&lt;/em&gt; (Santo Agostinho), &lt;em&gt;As Confissões&lt;/em&gt; (Santo Agostinho), &lt;em&gt;Discurso do Método&lt;/em&gt; (René Descartes), &lt;em&gt;Meditações Metafísicas&lt;/em&gt; (René Descartes), &lt;em&gt;Investigação Acerca do Entendimento Humano&lt;/em&gt; (David Hume), &lt;em&gt;Três Diálogos entre Hylas e Philonous&lt;/em&gt; (George Berkeley), &lt;em&gt;Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas&lt;/em&gt; (Robert Pirsig), &lt;em&gt;O Compromisso da Fé&lt;/em&gt; (Emmanuel Mounier), &lt;em&gt;Livro do Desassossego&lt;/em&gt; (Fernando Pessoa), &lt;em&gt;Antropologia Filosófica&lt;/em&gt; (Ernst Cassirer) e &lt;em&gt;Ensaio sobre o Homem&lt;/em&gt; (Ernst Cassirer).&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SqAUdt3QACI/AAAAAAAAAtc/GZ2b3AbE-pc/s1600-h/CIMG7800.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377320455840464930" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 62px; CURSOR: hand; HEIGHT: 84px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SqAUdt3QACI/AAAAAAAAAtc/GZ2b3AbE-pc/s200/CIMG7800.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Rafael Issa é graduando em Filosofia na Universidade de São Paulo (USP) e formado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-2703404600136306238?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/2703404600136306238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=2703404600136306238&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/2703404600136306238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/2703404600136306238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/09/dupla-dimensao-do-homem.html' title='A dupla dimensão do homem'/><author><name>Rafael Issa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13810598787788140553</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='01388661518050584112'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SpIbAoh7WdI/AAAAAAAAAsU/Qq75Ycci1JE/s72-c/escoladeatenas3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-6729236735058403275</id><published>2009-08-22T09:46:00.000-07:00</published><updated>2009-08-22T10:27:33.019-07:00</updated><title type='text'>Dicas literárias do Poeira de Idéias</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SpAn9aGFnBI/AAAAAAAAAsM/zBNLGx7cMpU/s1600-h/di%C3%A1logoscriativos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372838291383360530" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 134px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SpAn9aGFnBI/AAAAAAAAAsM/zBNLGx7cMpU/s200/di%C3%A1logoscriativos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;DIÁLOGOS CRIATIVOS&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;Domenico de Masi &lt;/em&gt;e&lt;em&gt; Frei Betto&lt;/em&gt; - PEDAGOGIA&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sinopse&lt;/strong&gt;: Domenico De Masi e Frei Betto debatem sobre alguns dos temas da pós-modernidade do avanço tecnológico à sociedade de consumo, da educação à filosofia, da teologia à política. Com pontos de vista ora coincidentes, ora conflitantes, mas muitas vezes complementares, ambos oferecem uma explanação sobre os rumos da humanidade, questionando de que forma as escolhas do presente estão construindo o amanhã que se anuncia. Mediado pelo psicanalista e educador José Ernesto Bologna. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;"Agora alguns educadores - mas isso, infelizmente, ainda vai demorar a chegar no corpo escolar - estão descobrindo o que chamo de visão holística da educação. Educar não é formar um profissional qualificado, é formar um ser humano qualificado. Nesse sentido, a escola tem que saber se inserir no convívio social, mas também saber nos educar com um olhar crítico perante essa sociedade. Se a escola não for um laboratório de análise crítica da sociedade, ela estará fadada a ser uma mera reprodutora do sistema".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SpAnal-xkGI/AAAAAAAAAr8/4L6L6rNbia8/s1600-h/sobreaesperan%C3%A7a.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372837693278490722" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; CURSOR: hand; HEIGHT: 180px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SpAnal-xkGI/AAAAAAAAAr8/4L6L6rNbia8/s200/sobreaesperan%C3%A7a.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;SOBRE A ESPERANÇA&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;Mario Sergio Cortella&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Frei Betto&lt;/em&gt; - FILOSOFIA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Sinopse&lt;/strong&gt;: Por que ter esperança de que 'dias melhores virão'? Em que se basear para acreditar que 'amanhã será um lindo dia / da mais louca alegria', como diz a música? Frei Betto e Mario Sergio Cortella nos apresentam sendas e clareiras sobre o tema. Um caminho - se você quer ter perspectiva de futuro, conheça o passado - analise sua história pessoal, a história de sua família, de seu país. Uma clareira - na realidade massacrante em que estamos imersos, na qual imperam o consumo, o individualismo e a fugacidade, revolucionário é aquele que se mantém fiel a si mesmo, que tem a noção de pertencimento a um grupo, que é capaz de ser solidário. Em suma, é preciso resgatar o sentido original da expressão ser humano e fazer jus a ela em nossas ações, no cotidiano. Uma luta silenciosa (e que pode até ser lírica), mas que certamente requer o uso de toda a nossa capacidade de ter esperança.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;"Com a queda do Muro de Berlim, a unipolaridade, a imposição desse modelo globocolonizante que está aí, o desemprego, tudo isso esgarça os tecidos de inter-relação que possibilitam a mobilização para um futuro melhor. Acho que hoje está se criando um caldo de cultura muito favorável à desesperança, em virtude da impotência, da incapacidade, da crença de que não vale a pena - ´para que eu vou me arriscar? Não vou me dar bem mesmo...´. Por esse motivo, temos mais dificuldades de incutir nas novas gerações um projeto comunitário ou coletivo em prol da esperança. Acho que esse é o desafio".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SpAnjYScItI/AAAAAAAAAsE/KxfkHCrN3wo/s1600-h/pedagogia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372837844221698770" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 122px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SpAnjYScItI/AAAAAAAAAsE/KxfkHCrN3wo/s200/pedagogia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;PEDAGOGIA DA AUTONOMIA Saberes Necessários À Prática Educativa&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;, Paulo Freire - &lt;/em&gt;PEDAGOGIA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Sinopse&lt;/strong&gt;: 'Pedagogia da autonomia' é um livro que condena as mentalidades fatalistas conformadas com a ideologia imobilizante de que 'a realidade é assim mesmo, que se pode fazer?' Para estes, basta o treino técnico indispensável à sobrevivência. Para Paulo Freire, educar é construir, é libertar o ser humano das cadeias do determinismo neoliberal, reconhecendo que a História é um tempo de possibilidades. É um 'ensinar a pensar certo' como quem 'fala com a força do testemunho'. É um 'ato comunicante, co-participado', de modo algum produto de uma mente 'burocratizada'. No entanto, toda a curiosidade de saber exige uma reflexão crítica e prática, de modo que o próprio discurso teórico terá de ser aliado à sua aplicação prática. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;"Gosto de ser homem, de ser gente, porque sei que a minha passagem pelo mundo não é predeterminada, preestabelecida. Que o meu ´destino´ não é dado mas algo que precisa ser feito e de cuja responsabilidade não posso me eximir. Gosto de ser gente porque a História em que me faço com os outros e de cuja feitura tomo parte é um tempo de possibilidades e não de determinismo".&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Rafael Issa é graduando em Filosofia na Universidade de São Paulo (USP) e formado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-6729236735058403275?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/6729236735058403275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=6729236735058403275&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/6729236735058403275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/6729236735058403275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/08/dicas-literarias-do-poeira-de-ideias.html' title='Dicas literárias do Poeira de Idéias'/><author><name>Rafael Issa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13810598787788140553</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='01388661518050584112'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SpAn9aGFnBI/AAAAAAAAAsM/zBNLGx7cMpU/s72-c/di%C3%A1logoscriativos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-296997319474532728</id><published>2009-08-17T16:43:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T16:53:24.995-07:00</updated><title type='text'>Dica Cinéfila: Cantando na Chuva</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_tEwJl0lf0do/Sonrp6iAhiI/AAAAAAAAAGw/RdGLBjrBVX8/s1600-h/4411111.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371083135935088162" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 238px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_tEwJl0lf0do/Sonrp6iAhiI/AAAAAAAAAGw/RdGLBjrBVX8/s320/4411111.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Sinopse:&lt;/em&gt; Don Lockwood e Lina Lamont são dois astros do cinema mudo que, com a chegada do som, devem fazer a transição também em suas carreiras. Enquanto Don se sai muito bem, Lina se aproveita o quanto pode de Kathy Selden, uma jovem que sonha em ser atriz, mas tem que trabalhar dublando a péssima voz de Lina. Quando Don se apaixona por Kathy, decide fazer de tudo para que o talento da amada seja finalmente reconhecido.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Título Original:&lt;/em&gt; Singin' in the Rain&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Gênero:&lt;/em&gt; Musical&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tempo de Duração:&lt;/em&gt; 118 minutos&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ano de Lançamento (EUA):&lt;/em&gt; 1952&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Direção:&lt;/em&gt; Gene Kelly e Stanley Donen&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Comentário:&lt;/em&gt; Cantando na Chuva é um clássico. Sua importância na história dos musicais é inegável, pois de todos do gênero, provavelmente é o que apresenta as melhores coreografias e atuações. Há uma tentativa de retratar com fidelidade uma época de mudanças na história do cinema (transição dos filmes mudos para os falados), nos meios de comunicação e na recepção de toda essa informação pelo público. Apesar disso, a trama é de fácil compreensão, contando com momentos de comédia e romance, além das canções e coreografias. Cantando na Chuva vem agradando amantes de vários gêneros cinematográficos até hoje, e assistí-lo é imprescindível para todos os apreciadores da sétima arte.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-296997319474532728?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/296997319474532728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=296997319474532728&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/296997319474532728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/296997319474532728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/08/dica-cinefila-cantando-na-chuva.html' title='Dica Cinéfila: Cantando na Chuva'/><author><name>Mônica Castilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01337194125616093239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='12529412081639418966'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_tEwJl0lf0do/Sonrp6iAhiI/AAAAAAAAAGw/RdGLBjrBVX8/s72-c/4411111.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-8880930321722460042</id><published>2009-08-14T08:32:00.000-07:00</published><updated>2009-08-14T08:40:28.819-07:00</updated><title type='text'>Manuel e Josias, faces de uma moeda sem valor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cá estão dois tipos que conheço bem. Chamarei um de Josias e o outro Manuel, mas, claro, poderiam ter qualquer nome. Penso neles como filhos de desilusões pós-modernas; de um desencanto com ideologias que resolveriam desequilíbrios sociais por princípios simples; de uma complexidade contemporânea nos reduzindo a sensação de impotência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é coisa nova ver a natureza humana indo além de nossos desejos de síntese, mas até pouco tempo havia uma ilusão funcional de que podíamos racionalizar nosso presente e pensar o resto em função dele. Não mais. Ou talvez o excesso de estímulos e dados da era da informação tenha confundido mais que esclarecido, virado a lógica de cabeça para baixo, tornado-a pequena ou obsoleta demais para dar conta do que nossos sentidos captavam como real. Foi isso? O real ficou irreal ou intransponível a ponto de precisarmos jogar a toalha e abraçar o absurdo para não sofrer? Como consolo, velhos colegas de embriaguez existencial ganharam força. Narcisismo, ceticismo, duendes, tudo em versão nova, plugada com a era do vazio nos refazendo à imagem e semelhança de nossas desconstruções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse paradoxo, nascem messias como Josias e Manuel, versões recicladas de velhos arquétipos, arautos de uma transcendência sintética forjada em cacos da banalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel é o sábio. Um sábio em falsete, para ser sincero. Lê, colhe dados, concatena-se com um mundo de livros, sons, monitores e projeções que transportam sua mente aos confins da terra, e assim ele pode dizer que conhece tudo. Não é exatamente um curioso, atributo inerente ao futuro sábio. Pode até ter sido curioso, mas abandonou sua busca antes que chegasse perto de saber algo. Deparou-se com a fragilidade e a dor de quem duvida e preferiu ter certezas. Interrompeu sua caminhada, juntou conceitos, fundou um castelo de onde pudesse criticar e julgar sem sofrer conseqüências. Para isso, escolheu um terreno explorado, com uma tribo que o amparasse e fortalecesse suas ilusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a cratera de ignorância e desamparo em Manuel não foi tapada. Só disfarçada com uma cortina de informações que visa levar o interlocutor a um monólogo.  Se Manuel “sabe tudo”, para que aprender? Informa-se para incrementar sua cortina e nada mais. Comunica-se unicamente com membros de seu clube: eruditos iguais a ele com as mesmas idéias, e assim ninguém precisa discordar de ninguém ou interagir fora da fronteira. Máscara de sarcasmo e dedo em riste apontando defeitos é o estado de ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro extremo desse mar está Josias, olhos brilhando num estranho entusiasmo que nos remete à esperança, mas que é também filho do desencanto que gerou Manuel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se um exerce sua negação do real pelo narcisismo e ceticismo, o outro o faz pela crença numa motivação auto-sustentável. Josias concluiu que refletir é um problema e acreditar, a solução, não importa em que, desde que lhe mantenha a fé no sucesso ou em que há uma explicação reconfortante a tudo que acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Josias é assim. Talvez creia num deus com nome, ou no Deus dinheiro, Deus sucesso, “bons fluidos”... Positividade é seu mote. Tudo tem um porquê nesse universo, uma lição, um culpado, um pretexto inquisidor de quem quebrou regras e pagou, nesta ou noutra vida. Karma. Antepassados. Pouca fé. Josias não só teme o acaso, mas qualquer brecha inexplicada da vida, para a qual precisa de uma teoria simples e reconfortante. Possui um clichê de auto-ajuda a cada alma frágil. Seu consolo não tem sentido real ou relação com quem o recebe. É fabricado. Uma ajuda genérica que vale para João, Miguel ou Maria. Se otimismo gera motivação e produtividade, então, em vez de pensar no que acontece, melhor achar outro ângulo ou obedecer à vontade do líder, certo? Se um revés pode ser visto ou vivenciado positivamente, para que perder tempo compreendendo os mecanismos do problema se eles podem ser distorcidos a um espectro cor-de-rosa sem que neles se toque? Deixemos que os gurus existenciais tomem as decisões. Pastores, marqueteiros, motivadores, diretores, especialistas em felicidade e bem-viver manipulando nossos destinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Josias não é diferente de Manuel quanto ao desprezo pela troca. Um tende a se distanciar ou bater de frente enquanto o outro parece disposto a dialogar. Josias oferece seu peixe ideológico e um ouvido disponível que funciona como armadilha. Sua vontade de interagir é um pretexto. Sabe que quem ouve tende a ser ouvido e finge atenção enquanto ganha atenção, conduzindo sua vítima a um covil onde contará com a ajuda de clones. Em grupo, o poder de Josias cresce. Ele e os clones fingem escutar, entender, mantendo a mesma linha de ação até que a abertura e a fragilidade da vítima façam dela um novo clone. Está cumprido o papel manipulador do entusiasta, para o bem de quem o conduz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Josias e Manuel integram núcleos de isolacionismo que nos afastam de uma compreensão abrangente do mundo e, portanto, da ação transformadora. Heróis da servidão, desistência e comodismo. Triunfo da cegueira e de um sistema que nos quer fragmentados ou unidos em seu favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Luiz Mendes Junior é formado em Comunicação Social. Ele escreve para a Revista Sina e o blog "&lt;a style="color: rgb(0, 0, 0);" href="http://www.noticiasdofront3.blogspot.com/"&gt;notícias do front 3&lt;/a&gt;"&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-8880930321722460042?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/8880930321722460042/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=8880930321722460042&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/8880930321722460042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/8880930321722460042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/08/manuel-e-josias-faces-de-uma-moeda-sem.html' title='Manuel e Josias, faces de uma moeda sem valor'/><author><name>Luiz Mendes Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18088033048533637004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='13384697408591195726'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-3428305594839122659</id><published>2009-07-31T17:49:00.000-07:00</published><updated>2009-08-02T11:29:09.719-07:00</updated><title type='text'>Sobre política e políticos</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;“Os políticos estão sempre falando em lógica, razão, realidade&lt;br /&gt;e outras coisas do gênero e ao mesmo tempo vão praticando&lt;br /&gt;os atos mais irracionais que se possa imaginar.”&lt;br /&gt;(Guimarães Rosa)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ah, mas como é maravilhosa a política! Como é legal ver que existe um instrumento através do qual se possa construir algo bom para que todos possam usufruir. Educação, Saúde, Segurança, Transportes,... Precisamos destes serviços e precisamos que eles sejam oferecidos dentro de um padrão de qualidade. Ouço as pessoas conversando sobre política, sempre com um ar de desconfiança. Sentem-se desiludidos, por que os sonhos prometidos sempre estão distantes, nunca são realizados, nunca se concretizam no viver cotidiano. Faz parte da política o cultivo dos sonhos. Isto é importante e fundamental, pois sem eles não há movimento em busca de melhorias, pois sempre há uma necessidade de se organizar o caos existente em determinada área, que pode ser a da saúde com a construção de mais postos de saúde nas periferias e a melhoria do atendimento; que pode ser a da educação com a melhoria da formação dos educadores e da prestação da qualidade dos serviços para a comunidade ao redor da escola, tornando esta um ente atuante e não passivo como hoje é visto; que pode ser a da segurança com a criação de sistemas de inteligência e estratégia que permitam a ação efetiva dos policiais na busca dos ladrões e homicidas; que pode ser o do lazer e entretenimento com a construção de praças e parques; etc... Esta idéia de uma cidade bem estruturada pra se viver existe nas pessoas. Ela também existe nos políticos. Então por que não fazem? A democracia foi criada para que não exista uma concentração de poderes na mão de alguns poucos, para que exista uma consenso entre os mais diversos grupos sociais acerca dos rumos que a cidade deve tomar, porém sinto que, hoje, os jogos que permeiam a relação entre os políticos e a política fazem com que os interesses do povo sejam colocados em segundo plano, o que é contra a idéia de regime democrático. Vivo em uma cidade onde o prefeito é de um partido e a maioria da câmara é de outro. Concordo que seja interessante ter um lado que contraponha, que discuta, que exija argumentos, porém vejo que muitos projetos que seriam bons para o andamento e desenvolvimento local emperram pelo simples fato de que a oposição é contra tudo o que a situação propõe, mesmo que seja interessante para a população. E aí começa a se perder um tremendo tempo com discussões acerca de alianças e de concessões para os oposicionistas com o intuito de que eles permitam uma atuação maior da situação, enquanto fora dos gabinetes existe uma espera de que algo seja feito. Enfim, para quem os políticos governam? Para as pessoas ou para os seus própros partidos? É preciso se avaliar a atuação dos partidos dentro do processo político. Às vezes, quando estou pra decidir em quem votarei, fico em dúvida. Gostaria de votar nas pessoas que se candidataram, que se mostram competentes e que propõem algo que acredito ser importante, porém começo a me questionar se terei que focar mais minha atenção nos partidos, pois do que vale uma situação que não consegue atuar por causa de uma oposição inconseqüente e irresponsável. Infelizmente parece que os políticos são como jardineiros que odeiam seus jardins. Não vêem a beleza que neles pode existir se houver trato e cuidado. Estão preocupados com outras coisas. Com o que será que eles estão preocupados? Faço esta pergunta a mim mesmo todos os dias e, ao ver deputados que possuem castelos e mansões que valem milhões, sinto-me de certa forma desiludido com as respostas obtidas. Compreendo a repulsa que muitas pessoas sentem pela política, pelo que ela se tornou na mão dos políticos, este mesquinho jogo onde o povo é excluído. Sonho que um dia tudo isto melhorará, que os políticos olharão para as pessoas, trabalharão por elas e não por seus partidos, que a sociedade que sonhamos viver será construída e ela pode sim ser construída. Agora falando em termos mundiais, existe uma pesquisa do professor Jeffrey Sachs, da Universidade de Columbia (EUA), que diz que se os países ricos separassem cerca de 0,7% do seu PIB (Produto Interno Bruto) para ajudar os países pobres, a miséria poderia ser consideravelmente diminuída, até erradicada segundo alguns, dentro de algumas décadas. Há algum tempo atrás, também li uma entrevista com um especialista em relações internacionais que me fez sentir indignado. Ele falava que os políticos norte-americanos se negavam a cumprir o compromisso dos 0,7% prometidos em reuniões do G-8 por causa da Guerra do Iraque, o que é um absurdo e que ressalta ainda mais a idéia de que os governantes não tem interesse pelo bem das pessoas. Há uma displicência que não pode ser negada, mas esta não compõe a natureza da política. O problema da política não é a política, mas sim os políticos que a exercem. Os sonhos de uma sociedade melhor pra se viver continuam e sempre continuarão sendo possíveis de serem realizados.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;"Ao contrário dos 'legítimos' políticos,&lt;br /&gt;acredito no homem e lhe desejo um futuro."&lt;br /&gt;(Guimarães Rosa) &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;== // == &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;Metal Contra As Nuvens - Legião Urbana&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;object height="265" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/nkeLLNYaVjo&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/nkeLLNYaVjo&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x2b405b&amp;color2=0x6b8ab6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="320" height="265"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;I&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;Não sou escravo de ninguém / Ninguém, senhor do meu domínio / Sei o que devo defender / E, por valor eu tenho / E temo o que agora se desfaz. / Viajamos sete léguas / Por entre abismos e florestas / Por Deus nunca me vi tão só / É a própria fé o que destrói / Estes são dias desleais. / Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão / Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão / Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão. / Reconheço meu pesar / Quando tudo é traição, / O que venho encontrar / É a virtude em outras mãos. / Minha terra é a terra que é minha / E sempre será / Minha terra tem a lua, tem estrelas / E sempre terá.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;II&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;Quase acreditei na sua promessa / E o que vejo é fome e destruição / Perdi a minha sela e a minha espada / Perdi o meu castelo e minha princesa. / Quase acreditei, quase acreditei / E, por honra, se existir verdade / Existem os tolos e existe o ladrão / E há quem se alimente do que é roubo / Mas vou guardar o meu tesouro / Caso você esteja mentindo. / Olha o sopro do dragão...&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;III&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;É a verdade o que assombra / O descaso que condena, / A estupidez, o que destrói / Eu vejo tudo que se foi / E o que não existe mais / Tenho os sentidos já dormentes, / O corpo quer, a alma entende. / Esta é a terra-de-ninguém / Sei que devo resistir / Eu quero a espada em minhas mãos. / Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão / Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão / Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão. / Não me entrego sem lutar / Tenho, ainda, coração / Não aprendi a me render / Que caia o inimigo então.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;IV&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;Tudo passa, tudo passará... / E nossa história não estará pelo avesso / Assim, sem final feliz. / Teremos coisas bonitas pra contar. / E até lá, vamos viver / Temos muito ainda por fazer / Não olhe pra trás / Apenas começamos. / O mundo começa agora / Apenas começamos.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-3428305594839122659?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/3428305594839122659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=3428305594839122659&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/3428305594839122659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/3428305594839122659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/07/sobre-politica-e-politicos.html' title='Sobre política e políticos'/><author><name>Marcel Tutui Gianotti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13533897041928800685</uri><email>mtgianotti5@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00065908489349695244'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-8564228978140998901</id><published>2009-07-26T00:42:00.000-07:00</published><updated>2009-07-26T00:56:27.669-07:00</updated><title type='text'>Dica Cinéfila Especial: Harry Potter e o Enigma do Príncipe</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_tEwJl0lf0do/SmwK_drvRdI/AAAAAAAAAGI/7vXVdTeL3K0/s1600-h/hp6_03.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5362673341707535826" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 207px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_tEwJl0lf0do/SmwK_drvRdI/AAAAAAAAAGI/7vXVdTeL3K0/s320/hp6_03.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Sinopse:&lt;/em&gt; Enquanto Harry Potter inicia o sexto ano letivo em Hogwarts, Lorde Voldemort espalha destruição por toda a Inglaterra e a pressão para derrotá-lo torna-se cada vez mais forte. Usando um antigo livro de poções que pertenceu ao “Príncipe Mestiço”, Harry aprofunda seus conhecimentos de magia e prepara-se para a batalha. Antes, porém, ele precisa ajudar Dumbledore a descobrir o segredo da cruzada de Voldemort para conseguir a eternidade – os esconderijos de seus Horcruxes. Mas a busca pelos Horcruxes leva a uma batalha em Hogwarts, com um terrível desfecho, e Harry acredita que deve seguir sozinho para derrotar o Lorde das Trevas.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Título Original:&lt;/em&gt; Harry Potter and the Half-Blood Prince&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Gênero:&lt;/em&gt; Aventura&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Tempo de Duração:&lt;/em&gt; 140 minutos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ano de Lançamento (EUA):&lt;/em&gt; 2009&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Direção:&lt;/em&gt; David Yates&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Comentário:&lt;/em&gt; Harry Potter vem arrastando desde 2001 (ano do lançamento do primeiro filme da saga) milhares de pessoas para os cinemas. Os filmes em si são ótimos, porém vários fãs saem decepcionados com as alterações feitas na hora de passar a história dos livros para as telonas. Com Harry Potter e o Enigma do Príncipe, sexto e penúltimo livro da série, não foi diferente. Os efeitos especiais melhoraram indiscutivelmente, mas são poucas as cenas de ação, presentes em boa parte do livro, e os romances desta vez ganharam ênfase. Várias mudanças foram feitas na adaptação, muitas necessárias para o filme não se tornar cansativo, mas algumas se mostram totalmente injustificáveis. Os personagens distanciam-se cada vez mais de como foram apresentados em Harry Potter e a Pedra Filosofal, primeiro filme da saga. Inclusive o vilão Draco Malfoy que, pela primeira vez, mostra-se atormentado por sua consciência.&lt;br /&gt;O filme vale a pena ser visto, mas o livro ainda é sem sombra de dúvidas mais interessante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-8564228978140998901?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/8564228978140998901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=8564228978140998901&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/8564228978140998901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/8564228978140998901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/07/dica-cinefila-especial-harry-potter-e-o.html' title='Dica Cinéfila Especial: Harry Potter e o Enigma do Príncipe'/><author><name>Mônica Castilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01337194125616093239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='12529412081639418966'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_tEwJl0lf0do/SmwK_drvRdI/AAAAAAAAAGI/7vXVdTeL3K0/s72-c/hp6_03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-3443051696837288200</id><published>2009-07-14T10:23:00.000-07:00</published><updated>2009-07-23T10:56:52.214-07:00</updated><title type='text'>Um pouco de Filosofia - Platão e o homem justo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Todo sujeito disposto a ser um homem de bem procura agir de maneira justa no seu dia a dia. Isso nem sempre é possível, afinal, somos apenas humanos, e por isso, falhos. Muitas vezes, com raiva, tomamos atitudes impensadas, dizemos coisas que não deveríamos ter dito. É o que acontece quando "agimos sem pensar" - o que também pode vir a nos ocorrer em momentos de calmaria (não é preciso que estejamos necessariamente descontrolados para que tenhamos posturas irrefletidas). De qualquer forma, é somente ao botar "a mão na consciência" que somos capazes de avaliar criticamente nossas opiniões e condutas, detectando possíveis injustiças. Mas o que é, afinal de contas, um homem justo? Platão, filósofo grego que viveu há mais de 2000 anos, preocupou-se com a questão; essa preocupação é retratada em seu diálogo &lt;em&gt;A República&lt;/em&gt;, uma das obras mais importantes que a humanidade já produziu. Portador de um grande talento literário, Platão jamais apresentou suas idéias em forma de tratados (tão recorrentes na história da filosofia), e sim por meio de diálogos fictícios onde seus personagens discutem um tema específico (no caso de &lt;em&gt;A República&lt;/em&gt;, a justiça). Estes personagens não foram inventados à esmo, e sim extraídos da vida real, isto é, do convivío de Platão, dos quais não podemos deixar de citar Sócrates [1], o herói dos diálogos platônicos, o personagem que efetivamente representa as idéias platônicas em tais ficções. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Posto isto, passemos ao tema da justiça tal como ele é tratado em &lt;em&gt;A República. &lt;/em&gt;Na obra em questão, Sócrates está na casa do ancião Céfalo, na companhia deste e de outras pessoas. Questionado por Sócrates sobre como é a condição de idoso, Céfalo aponta a preocupação que, na velhice, os homens têm - já que, nesta fase da vida, a morte está inevitavelmente próxima - em relação ao que diz o mito sobre o mundo dos mortos. Segundo o mito, aqueles que foram injustos durante suas vidas serão castigados após a morte, ao contrário dos que tiveram uma existência calcada na justiça. Assim, o tema da justiça se insere nesta conversação. Como ser, então, um homem justo? É a pergunta que Sócrates dirige aos presentes, dando início ao longo debate que percorrerá todo o diálogo. O próprio Céfalo arrisca um primeiro pitaco: justo é devolver ao outro o que é seu. Isto é, a norma de justiça está aí atrelada à idéia de direito à propriedade privada. Poderíamos, hoje em dia, como exemplo, pensar num indivíduo que perdeu uma carteira cheia de dinheiro - de acordo com Céfalo, justo seria devolver à este homem sua carteira com o dinheiro. Parece-nos algo razoável pensado desta maneira. Porém, a definição proposta pelo ancião, aplicada genericamente, logo se mostra limitada, quando Sócrates a rebate questionando se é justo devolver uma arma à um dono que acabou de enlouquecer. Polemarco - outro personagem do diálogo - dá um outro palpite: justo é fazer bem aos nossos amigos e mal aos nossos inimigos. Sócrates, entretanto, acredita que não é próprio do homem justo fazer mal a quem quer que seja, rejeitando também esta segunda definição. Trasímaco entra no debate afirmando que justiça é sinônimo de obediência ao Estado - em outras palavras: justiça é aquilo que é vantajoso para o mais poderoso. Sócrates contra-argumenta afirmando que os governantes podem propor leis equivocadas (as quais não se deve obedecer) e exalta o que seria a verdadeira função de um estadista: zelar pelo bem da comunidade, e não pelo seu próprio. &lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356970779681437170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 354px; CURSOR: hand; HEIGHT: 218px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SlfIiqsPNfI/AAAAAAAAAqc/Lx-Cy1JcabQ/s400/TORCIDA1.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Segundo Polemarco - personagem do diálogo A República, de Platão - justo seria fazer "bem aos nossos amigos e mal aos nossos inimigos". Aceitar essa posição de modo genérico significa aceitar, por exemplo, que uma briga entre torcidas num estádio de futebol está éticamente justificada.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vê-se que Platão, filósofo antigo, levanta temáticas ainda hoje muito pertinentes: o direito à propriedade deve ser respeitado sob quaisquer circunstâncias? Como devemos agir com aqueles que não são nossos amigos? Temos com estes alguma espécie de compromisso ético? É legítimo o governo preocupado muito mais consigo mesmo do que com a sociedade que ele representa? Constatando a impossibilidade em se definir o homem justo analisando exemplos individuais, o protagonista Sócrates propõe aos demais debatedores que uma cidade ideal seja construída imaginariamente; a idéia é que primeiramente se encontre a justiça no corpo da coletividade, para que posteriormente ela possa ser identificada nas ações individuais. Aqui Platão nos dá uma contribuição preciosíssima; mostra a interdependência que há entre coletivo e o individual. Ao mesmo tempo em que o individual determina o coletivo (uma cidade justa se faz por meio de homens de alma justa), o coletivo também determina o individual (um sujeito que nasce numa sociedade injusta tende a ser um homem de alma injusta, um sujeito que nasce numa sociedade justa tende a ser um homem de alma justa). Ao observar que, numa cidade, cada indivíduo tem dentro dela uma função específica (caso contrário, &lt;em&gt;o todo&lt;/em&gt; não funcionaria bem), Sócrates constata a existência de três classes sociais: a de &lt;em&gt;governantes&lt;/em&gt;, a dos &lt;em&gt;guardiões&lt;/em&gt; (sua função é defender a cidade) e a de &lt;em&gt;artesãos&lt;/em&gt; (as que englobam todas as profissões que não são as duas anteriores). Assim como a cidade é tripartida, a alma dos indivíduos também possui três partes: uma parte que Platão considera inferior, a &lt;em&gt;concupiscente&lt;/em&gt; (devotada aos prazeres materiais, aos desejos corpóreos), e duas partes superiores, a &lt;em&gt;irascível&lt;/em&gt; (relacionada à coragem) e a &lt;em&gt;racional&lt;/em&gt;. Artesão é aquele indivíduo cuja parte concupiscente de sua alma possui grande força; correlativamente, o guardião da cidade deverá ser aquele cuja parte irascível de sua alma possui grande força. Evidentemente, os governantes da cidade - para Platão - são os indivíduos cuja parte racional de sua alma possui grande força; são eles os filósofos. Se em cada indivíduo há a predominância de uma dessas três partes, é por conseqüência disto que o Estado possui as três classes sociais citadas anteriormente. Em suma: as três classes representam as três partes da alma. Isso fica explicitado quando o protagonista Sócrates afirma que "dentro de cada um de nós existem os mesmos modos de ser e costumes que há na cidade" [2]. A tese platônica é a de que &lt;em&gt;alma&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;política&lt;/em&gt; são coisas indissociáveis; isto é, a moral dos indivíduos é traduzida na constituição do Estado. O coletivo espelha o individual e vice-versa. Seguindo esta linha de raciocínio, a cidade justa é definida por Sócrates como uma cidade que possui &lt;em&gt;harmonia&lt;/em&gt; entre as classes sociais, coisa que, de acordo com o platonismo, só ocorre quando cada indivíduo desempenha corretamente a função que lhe é devida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358371302667436242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 294px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SlzCT1YjwNI/AAAAAAAAAq0/_LyeLUOZIzM/s400/PLAT%C3%83OCLASSE.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;As classes econômica (dos artesãos), militar (dos guardiões) e dos magistrados (dos governantes) são, para Platão, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;as três classes que formam uma sociedade. Segundo Platão, se essas classes não coexistirem de modo harmonizado, não haverá justiça na comunidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/em&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O governo da razão.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; Se a justiça na comunidade depende, então, que cada indivíduo desempenhe a sua função social, isto significa que a cidade ideal deve ser governada pelos filósofos, isto é, por aqueles que possuem uma alma predominantemente racional. Segundo Platão, o tipo de governo capaz de assegurar uma cidade justa é, portanto, &lt;em&gt;aristocrático&lt;/em&gt;. É o governo de uma classe específica. A idéia é que a cidade seja conduzida de forma racional, com sabedoria (a sabedoria é a virtude dos filósofos). Platão não vê a divisão da sociedade em classes, o governo da classe filósofa e a harmonia entre governantes e governados como uma espécie de alienação. Aqui Platão nos parece distante de Marx [3]. Mas essa distância é apenas aparente. Marx repudiava a sociedade capitalista porque ela é dividida em classes sociais - mas Marx referia-se à divisão entre a classe rica opressora e a classe pobre oprimida. Platão não prega um governo da classe rica, mas sim um governo dos mais sábios. Neste sentido, seu aristocratismo é pouco distinto da atual democracia ocidental (considerando o fato de que, na democracia moderna, os cidadãos elegem representantes, &lt;em&gt;supostamente&lt;/em&gt; os mais sábios e aptos a cumprirem a tarefa de governar). E pouco distinto também do marxismo à medida em que &lt;em&gt;A República&lt;/em&gt; de Platão - tanto quanto o&lt;em&gt; Manifesto do Partido Comunista&lt;/em&gt;, de Marx - vislumbra uma sociedade utópica, coletivista, sem ricos e pobres, onde todos os indivíduos possam ser felizes. Platão, aliás, antecipa o que Marx e Jean-Jacques Rousseau [4], pensadores modernos, disseram muitos e muitos anos depois de &lt;em&gt;A República&lt;/em&gt; ter sido escrita: sociedades onde existem ricos e pobres são desarmônicas, suscetíveis à conflitos de classes [5]. Uma sociedade justa na concepção platônica não deve, então, possuir disparidades deste tipo. Quando afirmamos que a aristocracia é, para Platão, a única forma de governo pela qual a justiça pode se realizar na cidade, não devemos confundir aristocracia com &lt;em&gt;oligarquia&lt;/em&gt;. Segundo Platão, a oligarquia - definida como "governo dos ricos" (quando a cidade escolhe seus reis com base em suas posses) - é uma forma de governo corrompida, incapaz de manter a comunidade em harmonia, e típica de homens injustos. Se, portanto, a cidade justa é aquela na qual os indivíduos cumprem devidamente a sua função social (justamente em prol da manutenção dessa cidade justa), na qual há harmonia entre as classes e governo da razão (dos filósofos), como definir, então, o &lt;em&gt;homem justo&lt;/em&gt;? O homem justo é aquele indivíduo em que a parte racional de sua alma comanda as outras duas, moderando a concupiscência e a ira; é o indivíduo que, assim, mantém em harmonia as três partes de sua alma. Mesmo o artesão e o guardião da cidade (isto é, os não-filósofos da cidade platônica) devem se autogovernar pela razão. Nós contemporâneos podemos tirar lições interessantes do pensamento de Platão: por exemplo a idéia de que um homem não pode ser justo se não for, ao mesmo tempo, reflexivo (mesmo o "não-filósofo"); sem reflexão, a justiça não é possível. Neste sentido, o não-reflexivo tenderia para a injustiça, mesmo involuntariamente [6]. Numa pós-modernidade dinamizada como a nossa, onde os indivíduos são, em geral, extremamente afeitos aos juízos apressados, irrefletidos e ao indiferencismo perante os problemas que enfrentamos enquanto sociedade, a tese de Platão é digna de ser bem observada. Outra importante colaboração do pensamento platônico é a idéia de que justiça é também sinônimo de bom cumprimento de um papel social. Em outras palavras: um sujeito que não "faz a sua parte" em prol da coletividade, também não é um homem justo - conseqüentemente, uma comunidade formada por homens que nada fazem em prol do coletivo, não é uma comunidade justa. Vivendo numa sociedade injusta, as chances que tenho de me portar como um homem injusto são muito maiores; e sendo um homem injusto, são bem menores as minhas chances de ajudar a tornar justa a sociedade em que vivo.&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358381535531082594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SlzLndxXo2I/AAAAAAAAArE/EN7mu7nm1Eo/s320/PLAT%C3%83OINDIFEREN%C3%87ASOCIAL.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Uma sociedade não pode ser justa se os seus indivíduos não tiverem uma alma justa. E, segundo Platão, um indivíduo não pode ter uma alma justa se não for reflexivo, se não for capaz de pensar - por exemplo - os problemas da sociedade e se não cumprir devidamente um papel social que beneficie toda a coletividade.&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Notas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1] O filósofo Sócrates foi mestre de Platão. A admiração deste por aquele era tanta, que Platão resolveu fazer de Sócrates o principal protagonista de seus diálogos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[2] PLATÃO. &lt;em&gt;A República&lt;/em&gt;. São Paulo, Martins Fontes, 2006. pág. 158 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[3] Karl Marx (1818-1883): importante pensador alemão. Autor de obras como &lt;em&gt;Manifesto do Partido Comunista &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;O Capital.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;[4] Jean-Jacques Rousseau (1712-1778): importante filósofo suíço. Autor de obras como&lt;em&gt; Discurso Sobre a Origem e os Fundamentos das Desigualdades Entre os Homens&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Contrato Social&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;[5] Por isso, tanto Rousseau quanto Marx propuseram soluções para a questão das desigualdades sociais. Enquanto Rousseau acreditava que um novo contrato social garantiria a igualdade entre os cidadãos, Marx apostava numa revolução do proletariado e, assim, na instituição de um governo que aboliria as classes sociais.&lt;br /&gt;[6] Hannah Arendt (filósofa alemã que viveu de 1906 até 1975), também nos mostra isso, em sua obra &lt;em&gt;Eichmann em Jerusalém&lt;/em&gt;. Segundo Arendt, Eichmann, julgado em Israel (no ano de 1961) por sua forte colaboração com o regime nazista na Alemanha, não seria um sujeito dotado de uma "monstruosidade natural", mas sim - nas palavras da própria filósofa - um "funcionário mediano, um arrivista medíocre, incapaz de refletir sobre seus atos ou de fugir aos clichês burocráticos". É a idéia de que o mal está atrelado à ausência de reflexão. Mais sobre Eichmann no link &lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Adolf_Eichmann"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Adolf_Eichmann&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SlzPn3O8AaI/AAAAAAAAArU/JLHTkWBHUzM/s1600-h/CIMG7800.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358385940412498338" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 66px; CURSOR: hand; HEIGHT: 87px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SlzPn3O8AaI/AAAAAAAAArU/JLHTkWBHUzM/s200/CIMG7800.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Rafael Issa é graduando em Filosofia na Universidade de São Paulo (USP) e formado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-3443051696837288200?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/3443051696837288200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=3443051696837288200&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/3443051696837288200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/3443051696837288200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/07/um-pouco-de-filosofia-platao-e-o-homem.html' title='Um pouco de Filosofia - Platão e o homem justo'/><author><name>Rafael Issa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13810598787788140553</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='01388661518050584112'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SlfIiqsPNfI/AAAAAAAAAqc/Lx-Cy1JcabQ/s72-c/TORCIDA1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-2449879341039145625</id><published>2009-07-23T10:22:00.000-07:00</published><updated>2009-07-23T10:55:32.138-07:00</updated><title type='text'>Dicas literárias do Poeira de Idéias</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2378/733/1600/333447/CAPA1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2378/733/200/181360/CAPA1.jpg" border="0" /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;AS CIDADES INVISÍVEIS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;,&lt;/span&gt; &lt;em&gt;Italo Calvino&lt;/em&gt; - LITERATURA ITALIANA &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Sinopse&lt;/strong&gt;: 'As Cidades Invisíveis', de Italo Calvino, um dos escritores mais importantes e instigantes da segunda metade do século XX, conta a história do famoso viajante Marco Polo, que descreve para Kublai Khan as incontáveis cidades do imenso império do conquistador mongol. Neste livro, a cidade deixa de ser um conceito geográfico para se tornar o símbolo complexo e inesgotável da existência humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;“Às vezes o espelho aumenta o valor das coisas, às vezes anula. Nem tudo o que parece valer acima do espelho resiste a si próprio refletido no espelho. As duas cidades gêmeas não são iguais, porque nada do que acontece em Valdrada é sintético: para cada face ou gesto, há uma face ou gesto correspondente invertido ponto por ponto no espelho. As duas valdradas vivem uma para a outra, olhando-se nos olhos continuamente, mas sem se amar”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2378/733/1600/315957/CAPAPROUST.gif"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2378/733/200/132489/CAPAPROUST.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;NO CAMINHO DE SWANN&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;Marcel Proust&lt;/em&gt; - LITERATURA FRANCESA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sinopse&lt;/strong&gt;: Os sete volumes da obra 'Em busca do tempo perdido' constituem um emaranhado complexo de personagens, cenas, detalhes que reaparecerão muito depois e somente aí adquirem seu real significado, articulados pela memória que, ativada por circunstâncias fortuitas, medita livre por diferentes campos, sendo as artes (particularmente a literatura) um dos mais freqüentados. Este primeiro volume também exemplifica isso, pois Swann, um dos principais personagens, é um refinado aristocrata conhecedor de literatura, colecionador de objetos de arte e freqüente nos salões parisienses. O narrador o conheceu quando criança em Combray, cidadezinha imaginária onde ele passava as férias de Páscoa. No segundo, o narrador, já adolescente, desistindo do amor de Gilberte, filha de Swann, parte com a avó em viagem de férias para a fictícia praia de Balbec, com imaginárias ruínas antigas, em seu périplo de conhecimento da arte e de si. Assim, cada volume e todos se transformam em complexo programa de formação estética e humanística. Neste volume, Proust se dedica principalmente à narração de sua infância e adolescência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;"E, assim como antes de beijar Odette pela primeira vez tentara imprimir em sua memória o rosto que ela por tanto tempo tivera para ele e que a lembrança daquele beijo transformaria, do mesmo modo teria preferido, em pensamento ao menos, dar adeus, enquanto ela ainda existia, àquela Odette inspiradora de amor, de ciúme, àquela Odette causadora de sofrimentos e que agora ele jamais reveria. Enganava-se. Deveria revê-la ainda uma vez, algumas semanas mais tarde. Aconteceu dormindo, no crepúsculo do sonho". &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2378/733/1600/57314/CAPALUCROPESSOAS.gif"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2378/733/200/298678/CAPALUCROPESSOAS.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;O LUCRO OU AS PESSOAS? Neoliberalismo e Ordem Global&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;Noam Chomsky&lt;/em&gt; - CIÊNCIAS SOCIAIS&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sinopse:&lt;/strong&gt; Reconhecido pelos críticos como um socialista libertário, Chomsky destacou-se na década de 90 por ser o principal crítico do mercado livre. Para ele, o caráter liberal do capitalismo é estruturalmente falho e moralmente maléfico. Uma análise profunda do sistema doutrinário das democracias capitalistas e da ameaça neoliberal encontra-se na obra 'O Lucro ou as Pessoas? Neoliberalismo e Ordem Global'. Neste livro, Chomsky revela as razões pelas quais o neoliberalismo não pode ser considerado uma novidade. Para ele, trata-se simplesmente de uma versão moderna da opressão dos happy few sobre a grande maioria da sociedade, que tem os seus direitos civis e políticos esmagados. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;"Para que a democracia seja efetiva é necessário que as pessoas se sintam ligadas aos seus concidadãos e que essa ligação se manifeste por meio de um conjunto de organizações e instituições extramercado. Uma cultura política vibrante precisa de grupos comunitários, bibliotecas, escolas públicas, associações de moradores, cooperativas, locais para reuniões públicas, associações voluntárias e sindicatos que propiciem formas de comunicação, encontro e interação entre os concidadãos. A democracia neoliberal, com sua idéia de mercado über alles, nunca tem em mira esse setor. Em vez de cidadãos, ela produz consumidores. Em vez de comunidades, produz shopping centers. O que sobra é uma sociedade atomizada, de pessoas sem compromisso, desmoralizadas e socialmente impotentes". &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/Smijb4opz3I/AAAAAAAAArk/db1GmPuxLog/s1600-h/Foto138.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5361715055839268722" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 68px; CURSOR: hand; HEIGHT: 87px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/Smijb4opz3I/AAAAAAAAArk/db1GmPuxLog/s320/Foto138.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:85%;"&gt;Rafael Issa é graduando em Filosofia na Universidade de São Paulo (USP) e formado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).&lt;/span&gt; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-2449879341039145625?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/2449879341039145625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=2449879341039145625&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/2449879341039145625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/2449879341039145625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/07/dicas-literarias-do-poeira-de-ideioas.html' title='Dicas literárias do Poeira de Idéias'/><author><name>Rafael Issa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13810598787788140553</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='01388661518050584112'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/Smijb4opz3I/AAAAAAAAArk/db1GmPuxLog/s72-c/Foto138.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-6461126571209179950</id><published>2009-07-18T17:15:00.000-07:00</published><updated>2009-07-18T17:20:50.757-07:00</updated><title type='text'>Dica Cinéfila: A Troca</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_tEwJl0lf0do/SmJmAhuxqCI/AAAAAAAAAF4/isqGC7r9jNY/s1600-h/a-troca-the-changelling.jpg"&gt;&lt;em&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 214px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5359958665764907042" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_tEwJl0lf0do/SmJmAhuxqCI/AAAAAAAAAF4/isqGC7r9jNY/s320/a-troca-the-changelling.jpg" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Sinopse:&lt;/em&gt; Los Angeles, março de 1928. Christine Collins (Angelina Jolie), uma mãe solteira, se despede de Walter (Gattlin Griffith), seu filho de 9 anos, e parte rumo ao trabalho. Ao retornar descobre que Walter desapareceu, o que faz com que inicie uma busca exaustiva. Cinco meses depois a polícia traz uma criança, dizendo ser Walter. Atordoada pela emoção da situação, além da presença de policiais e jornalistas que desejam tirar proveito da repercussão do caso, Christine aceita a criança. Porém, no íntimo, ela sabe que ele não é Walter e, com isso, pressiona as autoridades para que continuem as buscas por ele.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Título Original:&lt;/em&gt; Changeling&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Gênero:&lt;/em&gt; Drama&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tempo de Duração:&lt;/em&gt; 141 minutos&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ano de Lançamento (EUA):&lt;/em&gt; 2008&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Direção:&lt;/em&gt; Clint Eastwood&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Comentário:&lt;/em&gt; Não é só no Brasil e nem de hoje a existência de histórias absurdas envolvendo a polícia e os políticos. Isso é o que veremos em A Troca, filme estrelado por Angelina Jolie e dirigido por Clint Eastwood, que conta a história real de Christine Collins, uma mulher que teve seu filho raptado e sofreu com o descaso da polícia para encontrar o garoto.&lt;br /&gt;Christine, no começo do filme, é mostrada como uma mulher bem educada e amorosa. Após o rapto do seu filho e o absurdo cometido pela polícia de Los Angeles, ao lhe entregar um garoto qualquer apenas para mostrar à imprensa que o caso foi resolvido, revela-se uma mulher forte e corajosa, capaz de lutar contra todo um sistema. Angelina Jolie conseguiu interpretar bem o papel, principalmente por conta do realismo de sua atuação na mudança de “mulher recatada” a “mãe-coragem”.&lt;br /&gt;A Troca assemelha-se a Sobre Meninos e Lobos, outro filme de Eastwood, no qual também vemos a “transmissão da culpa” ao longo da história.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-6461126571209179950?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/6461126571209179950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=6461126571209179950&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/6461126571209179950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/6461126571209179950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/07/dica-cinefila-troca.html' title='Dica Cinéfila: A Troca'/><author><name>Mônica Castilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01337194125616093239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='12529412081639418966'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_tEwJl0lf0do/SmJmAhuxqCI/AAAAAAAAAF4/isqGC7r9jNY/s72-c/a-troca-the-changelling.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-8506376311044893205</id><published>2009-07-08T20:54:00.000-07:00</published><updated>2009-07-08T22:37:12.966-07:00</updated><title type='text'>Anonimato em crise</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em 1968, o artista plástico Andy Warhol elaborou uma profecia: Todo cidadão teria 15 minutos de fama no futuro, e este futuro levou quatro décadas para chegar. A era da reprodutibilidade alçou vôos digitais, evoluiu, proliferou-se em computadores mais e mais avançados, gerou uma rede mundial que se ampliou e puxou um desenvolvimento tecnológico capaz de criar sítios de armazenamento para texto, foto e vídeo, acessíveis e ampliáveis por todos. Gadgets ganharam poder; perderam peso. Telefones ficaram mínimos e autônomos, com direito à câmera, radio, "ipod", tela de TV, videogame e microprocessador. No bolso de cada cidadão, um portal. Uma janela com bilhete de ida e volta para o mundo do imaginário midiático que consumimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_E0nxLpOFpkg/SlVqj8nLz1I/AAAAAAAAAko/o_PUJi2RKqg/s1600-h/1984_new.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356304497625517906" style="WIDTH: 400px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 217px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_E0nxLpOFpkg/SlVqj8nLz1I/AAAAAAAAAko/o_PUJi2RKqg/s400/1984_new.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o vislumbre de algo que pode parecer um sonho, mas exige um preço. A profecia de Warhol não pressupunha um direito e não sucedeu como tal. Dar "15 minutos de fama" é o dom de nossos brinquedos high-tech, que, como varinhas pós-modernas, não respondem por seus atos. Uma vez feita a mágica, suas conseqüências são incontroláveis, e 15 minutos podem ganhar a eternidade de modo cruel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sítios como Orkut, Myspace e Youtube solidificaram o que blogs, fotologs e páginas convencionais já propiciavam em menor grau no ciber espaço. Tornamo-nos potencialmente expositores e expositivos como nunca; algo que pode ser bom, mas também terrível. Um embaraço, um boato ou uma calúnia só precisam de um celular para abandonar a esfera privada e virar item de consumo na rede, às vezes sem o crivo de uma prova. Textos, fotos, filmes e montagens ganham vida, transformando suas vítimas em personagens de uma peça sobre a qual não têm poder. A aura da fama hoje segue além da vontade de quem a busca. Permeia todo o âmbito do convívio humano à espera de um evento que possa tornar "lenda", um ato privado para desvelar, um deslize para "denunciar" e depreciar. Nossos brinquedos são olhos e tentáculos de uma entidade onisciente regida pela primazia do consumo. O Grande Irmão que Orwell idealizou vinte anos antes de Warhol elaborar sua profecia também virou verdade. Não do modo previsto, a serviço de um estado total, mas de um princípio total, uma ditadura do impassível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_E0nxLpOFpkg/SlVqqPaM2_I/AAAAAAAAAkw/Ok8y2q84Czo/s1600-h/panoptico.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356304605750549490" style="WIDTH: 400px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_E0nxLpOFpkg/SlVqqPaM2_I/AAAAAAAAAkw/Ok8y2q84Czo/s400/panoptico.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fama não presume um direito, e sim uma eventualidade que pode nos acometer sem aviso. Ser anônimo é estar na arquibancada de uma arena, rindo ou chorando pelos famosos que compõem o espetáculo. Se há anônimos sonhando em arriscar vidas ou reputações no coliseu atrás de glória, há também os protagonistas involuntários, os gladiadores que jamais quiseram lutar e os condenados que um dia foram anônimos e agora mal podem se defender dos antigos correligionários. Do lado "certo" da balança, o "público" permanece a salvo dos olhos do Grande Irmão enquanto pode, partilhando-os, compondo seu corpo invisível e nele nutrindo sua condição. Sabe que o anonimato não é um direito, mas um privilégio revogável sempre que o Grande Irmão quiser. Medo, apatia, vigilância e indiferença são impostos a nós, por nós, através dele, tornando quinze minutos de fama mais uma sina do que uma bênção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Luiz Mendes Junior é formado em Comunicação Social. Ele escreve para a Revista Sina e o blog "&lt;a style="COLOR: rgb(0,0,0)" href="http://www.noticiasdofront3.blogspot.com/"&gt;notícias do front 3&lt;/a&gt;"&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-8506376311044893205?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/8506376311044893205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=8506376311044893205&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/8506376311044893205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/8506376311044893205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/07/anonimato-em-crise.html' title='Anonimato em crise'/><author><name>Luiz Mendes Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18088033048533637004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='13384697408591195726'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_E0nxLpOFpkg/SlVqj8nLz1I/AAAAAAAAAko/o_PUJi2RKqg/s72-c/1984_new.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-3000418498806753543</id><published>2009-07-05T20:39:00.000-07:00</published><updated>2009-07-05T20:48:29.831-07:00</updated><title type='text'>Dica Cinéfila: Moulin Rouge - Amor em Vermelho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Bem, este é meu primeiro post aqui no Poeira de Idéias. Gostaria de agradecer ao Rafael, por ter me convidado a participar do blog, ao Marcel e ao Luiz também, por terem concordado com a minha participação. Muito obrigada!&lt;br /&gt;Ok, mas vamos ao que interessa... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355187546750206242" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_tEwJl0lf0do/SlFys2WkQSI/AAAAAAAAAFw/U-RDtonByAA/s320/moulin_rouge.jpg" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Sinopse:&lt;/em&gt; No início do século XX, Christian (Ewan McGregor), um jovem escritor que possui um dom para a poesia, enfrenta seu pai para poder se mudar para o bairro boêmio de Montmartre, em Paris. Lá ele recebe o apoio de Toulouse-Lautrec (John Leguizamo), que o ajuda a participar da vida social e cultural do local, que gira em torno do Moulin Rouge. Ao visitar o local, Christian logo se apaixona por Satine (Nicole Kidman), a mais bela cortesã de Paris e estrela maior do Moulin Rouge.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Título Original:&lt;/em&gt; Moulin Rouge&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Gênero:&lt;/em&gt; Musical &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Tempo de Duração:&lt;/em&gt; 126 minutos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ano de Lançamento (EUA):&lt;/em&gt; 2001&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Direção:&lt;/em&gt; Baz Luhrmann&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Comentário:&lt;/em&gt; Vibrante, exagerado, criativo, alucinante e diferente, Moulin Rouge é tudo isso, apesar da história ser um tanto “comum”. O diferencial é a forma como ela é mostrada, contada e... cantada. Anos antes de ser lançado, o gênero musical tinha perdido um pouco de sua popularidade, tornando o filme um desafio para o diretor Baz Luhrmann. A trama se passa no início do século XX, mas quem espera ouvir somente músicas antigas, com certeza se surpreenderá. Sim, há canções de Whitney Houston, Marilyn Monroe e Elton John, mas também nos deparamos com uma canção de U2 e coreografias eletrizantes com músicas de Madonna. A mistura tinha tudo para sair indigesta, mas foi totalmente o contrário, se tornou um sucesso que vale a pena ser conferido.&lt;br /&gt;Moulin Rouge encerra a trilogia “Cortina Vermelha”, de Baz Luhrmann, formada por Vem Dançar Comigo (1992) e Romeu + Julieta (1996).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-3000418498806753543?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/3000418498806753543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=3000418498806753543&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/3000418498806753543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/3000418498806753543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/07/dica-cinefila-moulin-rouge-amor-em.html' title='Dica Cinéfila: Moulin Rouge - Amor em Vermelho'/><author><name>Mônica Castilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01337194125616093239</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='12529412081639418966'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_tEwJl0lf0do/SlFys2WkQSI/AAAAAAAAAFw/U-RDtonByAA/s72-c/moulin_rouge.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-8555962054112742784</id><published>2009-06-25T08:59:00.001-07:00</published><updated>2009-07-05T10:23:31.056-07:00</updated><title type='text'>Dica cinéfila do Poeira de Idéias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_YC7uVi-fBTk/SHXpT3Cd2BI/AAAAAAAAAVs/N_jD36txdiM/s1600-h/TAXIDRIVER.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221335870407038994" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_YC7uVi-fBTk/SHXpT3Cd2BI/AAAAAAAAAVs/N_jD36txdiM/s200/TAXIDRIVER.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Sinopse&lt;/em&gt;: Um veterano da Guerra do Vietnã sem perspectivas convive com o submundo de Nova York enquanto trabalha como motorista de táxi pelas madrugadas. Dirigido por Martin Scorsese (&lt;em&gt;Os Bons Companheiros&lt;/em&gt;) e com Robert De Niro, Jodie Foster e Harvey Keitel no elenco. Recebeu 4 indicações ao Oscar&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Título Original&lt;/em&gt;: &lt;strong&gt;Taxi Driver&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;- Gênero&lt;/em&gt;: Drama &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;- Tempo de Duração&lt;/em&gt;: 114 minutos &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;- Ano de Lançamento (EUA)&lt;/em&gt;: 1976 &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;- Direção&lt;/em&gt;: Martin Scorcese&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Comentário do blog&lt;/strong&gt;: O protagonista Travis Bickle (vivido pelo ainda mocinho Robert De Niro) mostra muito bem como uma vida sem perspectivas, alienada, cercada pela violência típica das grandes cidades e marcada pelo indiferencismo da classe política às demandas da periferia, pode embrutecer o coração de um homem comum - muitas vezes ao ponto de levá-lo a praticar atos extremos. Travis incorpora em sua personalidade a violência presente no seio da sociedade norte-americana; inconscientemente, se rebela (não construtivamente, mas destrutivamente) contra o status quo, que o aprisiona em uma vida sem grandes emoções e sem direcionamento. O táxi (já que não é o motorista de taxi quem decide o caminho que ele mesmo irá seguir) metaforiza essa ausência de autocondução. Filme excelente e imperdível, o que há de melhor em Martin Scorcese!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_YC7uVi-fBTk/SHXpBq9oQBI/AAAAAAAAAVk/c4qry_VipO0/s1600-h/Manderlay.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221335557927878674" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_YC7uVi-fBTk/SHXpBq9oQBI/AAAAAAAAAVk/c4qry_VipO0/s200/Manderlay.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Sinopse&lt;/em&gt;: Após deixar a cidade de Dogville, Grace e seu pai encontram uma fazenda onde ainda existe a escravatura, apesar dela ter sido abolida há tempos. Dirigido por Lars von Trier (&lt;em&gt;Dançando no Escuro&lt;/em&gt;) e com Bryce Dallas Howard, Willem Dafoe, Lauren Bacall, Danny Glover, Chloë Sevigny e Jeremy Davies no elenco&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;- Título Original&lt;/em&gt;: &lt;strong&gt;Manderlay&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;- Gênero&lt;/em&gt;: Drama&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;- Tempo de Duração&lt;/em&gt;: 139 minutos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;- Ano de Lançamento (Dinamarca / Holanda / Inglaterra / Suécia / França / Alemanha)&lt;/em&gt;: 2005 &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;- Direção&lt;/em&gt;: Lars Von Trier&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Comentário do blog&lt;/strong&gt;: Um filme que capta excepcionalmente bem a psicologia da opressão. Mostra como o oprimido pode se tornar uma espécie de espelho do seu opressor, e como uma libertação no plano da história só pode se consolidar se acompanhada de uma libertação de cunho psicológico, isto é, capaz de superar o hábito da servidão. Mostra como a herança do escravismo norte-americano fez com que os escravizados, mesmo quando libertos, encontrassem dificuldades para exercer uma genuína liberdade - dificuldades decorrentes justamente dessa psicologia, que se constitui com a opressão e com seus conseqüentes males sociais. É o segundo filme de Lars Von Trier da sua trilogia &lt;em&gt;EUA - Terra das Oportunidades&lt;/em&gt;, uma sátira à terra do Tio Sam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SkOhfvvDBDI/AAAAAAAAAp8/RKUtD3cmWFo/s1600-h/CIMG7800.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351298349008094258" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 63px; CURSOR: hand; HEIGHT: 81px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SkOhfvvDBDI/AAAAAAAAAp8/RKUtD3cmWFo/s200/CIMG7800.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Rafael Issa é graduando em Filosofia na Universidade de São Paulo (USP) e formado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-8555962054112742784?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/8555962054112742784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=8555962054112742784&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/8555962054112742784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/8555962054112742784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/06/dica-cinefila.html' title='Dica cinéfila do Poeira de Idéias'/><author><name>Rafael Issa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13810598787788140553</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='01388661518050584112'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SkOhfvvDBDI/AAAAAAAAAp8/RKUtD3cmWFo/s72-c/CIMG7800.JPG' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-902495554105611623</id><published>2009-06-07T19:57:00.000-07:00</published><updated>2009-07-05T10:23:11.781-07:00</updated><title type='text'>Nossa auto-crítica merece perdão (Dulce Critelli - Folha de São Paulo, 07/10/2004)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Outro dia, no carro ao lado do meu, uma mulher falava sozinha em voz alta. Ela parecia estar revivendo a discussão que tivera com alguém. Ainda que imaginando falar com outra pessoa, ela se revia e, portanto, falava consigo mesma.Também falo comigo em pensamento o tempo todo, como se eu fosse duas pessoas. Quando estou sozinha, torno-me interlocutora de mim mesma. Segundo Platão, quando os homens pensam, tornam-se "dois em um" e, assim duplicados, realizam o "diálogo sem som do pensamento". Ao pensar, nós nos dividimos e somos um companheiro e uma testemunha de nós mesmos. Voltamos a ser "um só" quando alguém chama a nossa atenção e passamos a falar com ele. Ou quando alguma coisa acontece e temos de nos ocupar com ela -enfim, quando temos de parar de pensar para agir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Mas, enquanto ninguém fala conosco, nem precisamos prestar atenção ao que fazemos, somos nós mesmos nosso principal interlocutor. Melhor, nossa principal companhia -uma companhia que sempre vê e julga o que fazemos, que sempre nos testemunha. E mais: uma companhia da qual jamais poderemos nos desfazer enquanto estivermos vivos -de fato, a única companhia cujas opiniões e julgamentos sobre nós mesmos nos influenciam e valem mais que tudo.Nós nos iludimos quando acreditamos que nos importamos mais com as críticas dos outros do que com as nossas próprias. Para que a opinião alheia nos afete, é preciso, primeiro, que concordemos com ela. Porém o que talvez nos leve a acreditar que nos importamos mais com o juízo dos outros sobre nós seja o fato de as opiniões alheias fazerem barulho e serem marcadas por caras e bocas. As opiniões alheias aparecem, enquanto as nossas próprias são silenciosas, são presenças discretas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;E são tantos os conceitos que tecemos a nosso próprio respeito! Julgamo-nos fortes ou fracos, inteligentes, bonitos ou feios e ignorantes, bons ou maus, indiferentes, preguiçosos, batalhadores, teimosos, cheios de possibilidades ou destinados ao fracasso.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;"Nós nos iludimos quando acreditamos que nos importamos mais com as críticas dos outros do que com as nossas próprias. Para que a opinião alheia nos afete, é preciso, primeiro, que concordemos com ela"&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/em&gt;Formamos essas opiniões pensando no que fizemos e dissemos no passado. É assim que vamos acumulando tudo aquilo de que nos orgulhamos tanto quanto aquilo de que nos arrependemos e envergonhamos. São exatamente essas opiniões a nosso próprio respeito as que contam de verdade. Elas se tornam critérios por meio dos quais vigiamos nossas ações no presente e projetamos nossos comportamentos futuros. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Os juízos que fazemos de nós mesmos formam imagens poderosas que impregnam nossa consciência. Normalmente, lançamos essa auto-imagem lá para adiante. São imagens de como gostaríamos de ser ou daquilo que esperamos de nós mesmos. Firmamos um compromisso com elas, que também é silencioso e, desde o presente, mesmo sem perceber, nós nos movemos incansavelmente na expectativa de sua realização. Elas se tornam as promessas que nós nos fazemos.Todavia nem sempre podemos cumprir essas promessas -especialmente quando nossa auto-imagem é projetada sobre um profundo desacordo com nossa realidade e com nossas possibilidades mais peculiares, quando ela se apóia no que julgamos ser o correto e o melhor, mas é alienada de nossa vida e singularidade. Sobra-nos, então, o sentimento de fracasso e de infelicidade. Michael Jackson é um exemplo extremo de indivíduo cuja auto-imagem é estrangeira de si mesma e que se impôs uma promessa inalcançável: um negro que faz de tudo para ser branco para ser quem ele nunca foi nem nunca poderá ser. Ele não se projeta uma imagem possível e singular, mas persegue uma fantasia.Fazemos o mesmo, ainda que sem querer. E nos maldizemos e nos punimos pelas promessas não cumpridas. Julgamo-nos incapazes e incompetentes. Sentimo-nos envergonhados. Aprisionamo-nos no círculo sem saída da culpa e da autocondenação. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Mas ninguém está fadado a permanecer praticando o mal que descobre fazer para si mesmo pensando ter agido corretamente. Perseguimos a realização de fantasias que nos alienam de nós mesmos quando nos conhecemos mal, quando nos ouvimos e interpretamos mal. Nossa condição humana, entretanto, está dotada de um talento especial que nos desamarra de nossos erros e equívocos a qualquer tempo. E para o qual é sempre tempo. Esse talento está reconhecido nas palavras de Jesus de Nazaré: "Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem". &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Perdoando-nos por nos fazer promessas insensatas, podemos nos reconciliar com nós mesmos e estancar o "ruminoso" remorso e a incessante crítica que nos fazemos quando ficamos a sós conosco, expostos a nós mesmos e ao nosso próprio testemunho. Porém o perdão que podemos nos oferecer tem uma condição essencial: que saibamos quem somos e quem só nós mesmos podemos ser. Só apoiadas nesse saber é que as promessas que nos fazemos não nos lançarão outra vez no inferno do desacordo com nós mesmos. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;É exatamente o que o oráculo de Delfos diz a Sócrates quando este vai consultá-lo sobre seu destino: "Conhece-te a ti mesmo". &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;em&gt;Dulce Critelli é professora de filosofia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-902495554105611623?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/902495554105611623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=902495554105611623&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/902495554105611623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/902495554105611623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/06/nossa-auto-critica-merece-perdao-dulce.html' title='Nossa auto-crítica merece perdão (Dulce Critelli - Folha de São Paulo, 07/10/2004)'/><author><name>Marcel Tutui Gianotti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13533897041928800685</uri><email>mtgianotti5@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00065908489349695244'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-7243552681591434196</id><published>2009-05-31T12:02:00.000-07:00</published><updated>2009-06-28T14:27:55.430-07:00</updated><title type='text'>O preconceito contra a filosofia (e a filosofia contra o preconceito)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Todo universitário do curso de filosofia certamente já deve ter ouvido por aí (muito provavelmente de alguém que nunca passou nem perto de um livro de filosofia) algum comentário preconceituoso em relação ao seu objeto de estudo. As acusações mais freqüentes feitas explícita e implicitamente contra a filosofia são de que ela não faz sentido algum, é "esquisita", "viajante" e não tem utilidade social. Tirar esses preconceitos da cabeça de uma pessoa costuma ser missão quase impossível. Lecionar a disciplina no ensino médio, ainda mais difícil (se ensinar, de uma maneira geral, hoje em dia está muito complicado, imaginem ensinar filosofia). Resta então a tentativa de apontar os porquês desta resistência, e investigar se a filosofia é realmente inútil e, portanto, merecedora de tanto descrédito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um preconceito sempre tem origem social - em geral, numa violência social. O preconceito racial contra os negros, ainda hoje existente, nos serve como exemplo disto. Ele se origina durante o período escravista, na violenta relação entre o opressor branco e o escravo negro. Se torna preconceito &lt;em&gt;de raça&lt;/em&gt; quando os brancos, vendo constantemente os negros numa posição socialmente subalterna, se esquecem do que um dia fizeram contra estes, perdendo de vista a genealogia desta desigualdade. E aí faz-se a distorção: se, por exemplo, boa parte dos negros moram em favelas e boa parte dos brancos possuem melhores condições de moradia, isso se deve pura e exclusivamente à uma questão de competência destes e incompetência daqueles. Eis o erro. A melhor forma de combater um preconceito, então, é expondo a sua raiz; porque se a escravidão for escancarada como a grande responsável pela difícil situação social de muitos negros hoje em dia, e é, cai por terra o argumento racista (se é que um argumento racista pode ser realmente considerado um argumento) de que o afro descendente seria, por predisposição genética, naturalmente "incapaz". Quando uma relação de opressão e violência é naturalizada, os indivíduos de temperamento menos reflexivo acabam aceitando a concepção, ilusória, de que seus preconceitos são opiniões inteiramente autônomas, livres e isentas de qualquer influência ideológica do meio. Hoje em dia muitos defendem o "direito democrático do achismo", e nesse sentido, no de que a livre opinião é um direito inalienável, não estão errados. Entretanto, poucos se dão ao trabalho de buscar embasamento para suas "verdades". Em outras palavras: poucos se dão ao trabalho de investigar se o que "eu acho" é uma opinião &lt;em&gt;realmente minha &lt;/em&gt;ou, ao contrário, uma indução social. Isso não acontece por acaso, e tudo tem a ver com o atual espírito do mundo ocidental: o da defesa de uma democracia superficial, onde o discurso pró-liberdade encerra-se em si mesmo, sem que paremos para pensar como poderíamos usar os livres espaços de maneira mais qualitativa, e ainda, cegando às diversas formas de condicionamentos que permanecem existindo. O preconceito, portanto, não é nada mais do que o "achismo" em seu grau máximo de irreflexão, em alguns casos direcionado contra um grupo específico de pessoas. E aí, mesmo quando a legislação vigente tenta remar contra a maré de um preconceito qualquer (é o caso do preconceito racial, já que hoje, pela constituição, negros e brancos possuem o mesmo direito à liberdade, e igualmente submetido ao dever de seguir as leis do Estado), a discriminação ainda resiste. Algo semelhante acontece com a filosofia; embora a resolução do Conselho Nacional de Educação (de 2006) valorize a filosofia (já que a torna, ao lado da sociologia, disciplina obrigatória no ensino médio), a sociedade continua sem perceber sua utilidade social - uma utilidade que a lei já reconhece. Vivemos numa pós-modernidade calcada em valores pragmáticos, onde o ritmo de nossas vidas é extremamente acelerado; uma grande quantidade (e nem sempre muita qualidade) de informações circulam diante de nós. Sobra pouco tempo, disposição e até mesmo capacidade para pensar de modo mais profundo. Até porque, segundo o sociólogo francês Gilles Lipovestky (autor de livros que dissecam os tempos atuais, como &lt;em&gt;A Era do Vazio&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Felicidade Paradoxal&lt;/em&gt;), uma sociedade estruturada pela lógica do consumo requer dos indivíduos uma postura mais passional (direcionada ao ato impulsivo de consumir) e menos reflexiva. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A utilidade social da filosofia é justamente a de se contrapor à tudo isso, e representar um pedido de atenção e de calma numa contemporaneidade que se caracteriza pela dispersão e pelo corre-corre. É o que pensadores como, por exemplo, Mario Sérgio Cortella (professor da PUC-SP), Roberto Romano (professor da Unicamp) e Renato Janine Ribeiro (professor da USP), os três formados em filosofia, procuram fazer com suas palestras, livros e artigos em jornais e revistas. A filosofia questiona os juízos apressados. O filósofo é aquele que nos propõe o desafio de reexaminarmos nossos achismos - o que pode ser irritantemente difícil, incômodo, à medida em que o achismo não é uma construção reflexiva do indivíduo, mas sim uma opinião inconscientemente consumida numa sociedade que, nas palavras de José Miguel Wisnik, músico e professor de literatura brasileira da USP, tornou mercado até mesmo sua consciência moral. Nesse sentido, a filosofia se posiciona não apenas contra o preconceito direcionado à ela mesma, mas contra toda e qualquer espécie de preconceito que possa existir. Buscando conceituar via-reflexão, ela nega as pré-conceituações. Ao exigir de nós uma postura intelectual com a qual não estamos muito habituados, a filosofia sofre resistência - como sofreu em sua origem. Segundo diversos estudiosos, é com o filósofo grego Sócrates (469–399 a.C.) que efetivamente nasce a filosofia. E nasce não por meio de uma teoria. O primeiro grande filósofo da história da humanidade afirmou só saber que nada sabia (a sabedoria socrática consiste em conhecer sua própria ignorância), não escreveu uma única linha sequer e não apontou doutrina alguma. A filosofia pode - e deve - trazer a humildade de Sócrates para os dias de hoje, já que vivemos numa era onde o individualismo narcísico têm nos tornado cada dia mais arrogantes, menos conscientes de que "nada" sabemos e, assim, menos autocríticos com nossas concepções. Sócrates teve, portanto, uma &lt;em&gt;atitude&lt;/em&gt;. Ao invés de escrever, preferiu caminhar pelas ruas de Atenas, onde vivia, dialogando com seus concidadãos, fazendo perguntas inesperadas e embaraçosas à estes, convidando-os à um exame aprofundado de suas opiniões. Por isso, muitos sentiram-se incomodados com o "moscardo dos atenienses". Denunciado por "não acreditar nos deuses da cidade" e por "corromper a juventude", acabou condenado à morte. Desde então, Sócrates vem sendo sistematicamente "assassinado" por todos aqueles que recusam-se a refletir. &lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5342079783724341634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SiLhQn6vWYI/AAAAAAAAAp0/-NAYiibuATg/s200/socrates.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Sócrates&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SiLHpRwuMnI/AAAAAAAAAo8/Ssfh-DZYrRU/s1600-h/filosofiapreconceito4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5342051619971150450" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 100px; CURSOR: hand; HEIGHT: 167px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SiLHpRwuMnI/AAAAAAAAAo8/Ssfh-DZYrRU/s320/filosofiapreconceito4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;No livro VI de &lt;em&gt;A Repúblic&lt;/em&gt;&lt;em&gt;a,&lt;/em&gt; uma das obras mais importantes da história da filosofia, o pensador grego Platão (428 ou 427-347 a.C.) - discípulo de Sócrates - afirma &lt;span style="font-size:85%;"&gt;[1]&lt;/span&gt; que numa cidade desorganizada, onde o sistema educacional é ruim, os filósofos são considerados inúteis pelos demais membros da comunidade. Em contrapartida, num Estado bem estruturado, os filósofos possuem uma função central: governam a cidade. Obviamente que falar em "governo de filósofos" soa como um grande exagero. O que nos interessa aqui, contudo, é o sentido subjacente da tese platônica: a idéia de que a sociedade deve dirigir-se racionalmente, com sabedoria. A filosofia tem fundamentalmente um compromisso com a razão; mesmo quando se trata de criticar uma exacerbada valorização da razão (crítica que se constata em pensadores como Friedrich Nietzsche, David Hume etc), a racionalidade não se perde de vista. Mesmo quando pretende defender a existência de Deus, a filosofia busca justificativas racionais (é o caso de São Tomás de Aquino e muitos outros). Devidamente valorizada, tem uma grande utilidade social. Fosse isso mentira, a ditadura militar brasileira (1964-1985) - como toda ditadura, sempre preocupada em abortar toda via de reflexão profunda que possa conduzir os indivíduos rumo à um questionamento do status quo - não teria perseguido &lt;span style="font-size:85%;"&gt;[2]&lt;/span&gt; justamente a "inútil" filosofia. Numa democracia, onde as opiniões circulam e fluem mais livremente, a filosofia pode ter, inclusive na escola, um papel de suma importância: estimular os homens à se libertarem de suas amarras internas. Amarras que, atreladas à discursos prontos e superficiais, nos impõem uma visão de mundo muito limitada.&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1] Platão faz do seu mestre, Sócrates, o principal personagem de &lt;em&gt;A República&lt;/em&gt;, narrada em forma de diálogo. Portanto, "quem fala" sobre o tema em questão é o personagem Sócrates, que dialoga com outros personagens (Céfalo, Polemarco, Adimanto, Trasímaco, Gláucon...). É Sócrates quem, no diálogo, representa as idéias de Platão, autor da obra. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[2] Com o golpe de 64, a filosofia e a sociologia foram banidas do ensino médio. Além disso, muitos professores universitários de filosofia foram perseguidos pelo regime militar; é o caso, por exemplo, do já falecido filósofo Bento Prado Jr., professor de filosofia (USP) de 1961 até 1969, quando - cassado pelo AI-5 - foi impedido de prosseguir lecionando. Dentre os estudantes universitários que, durante a ditadura, foram perseguidos pela repressão, muitos faziam filosofia. O frade dominicano Tito de Alencar, estudante de filosofia da USP, sofreu, na prisão, torturas das quais jamais se recuperou psicologicamente. Já exilado na França, mas ainda perturbado com a experiência, suicidou-se em 1974. Sua história é contada no livro &lt;em&gt;Batismo de Sangue&lt;/em&gt;, de Frei Betto, que foi adaptada ao cinema. Vale ainda, para reiterar a tese de que a filosofia pode suscitar - naqueles que se dedicam à ela - uma postura crítica e combativa diante de toda e qualquer conjuntura opressiva, citar o confronto entre os estudantes de filosofia da USP e estudantes do Mackenzie, na rua Maria Antonia (03/10/1968). Enquanto aqueles se punham contra o regime militar, estes eram favoráveis à ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Dicas de leitura&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;O Declínio da Cultura Ocidental&lt;/em&gt; (Allan Bloom) e &lt;em&gt;A Era do Vazio&lt;/em&gt; (Gilles Lipovetsky).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SiLSsl1PxjI/AAAAAAAAApk/9x-_5fOxXMQ/s1600-h/CIMG7800.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5342063771526350386" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 62px; CURSOR: hand; HEIGHT: 81px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SiLSsl1PxjI/AAAAAAAAApk/9x-_5fOxXMQ/s200/CIMG7800.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Rafael Issa é graduando em Filosofia na Universidade de São Paulo (USP) e formado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-7243552681591434196?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/7243552681591434196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=7243552681591434196&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/7243552681591434196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/7243552681591434196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/05/o-preconceito-contra-filosofia-e_31.html' title='O preconceito contra a filosofia (e a filosofia contra o preconceito)'/><author><name>Rafael Issa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13810598787788140553</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='01388661518050584112'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SiLhQn6vWYI/AAAAAAAAAp0/-NAYiibuATg/s72-c/socrates.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-2551708671351382127</id><published>2009-04-03T11:52:00.000-07:00</published><updated>2009-06-09T19:22:28.634-07:00</updated><title type='text'>Um pouco de Filosofia - A interioridade no pensamento de Santo Agostinho</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Noli foras ire, in teipsum redi: in interiore homine habitat veritas ("Não vás fora, entra em ti mesmo: no homem interior habita a verdade").&lt;/em&gt; (Santo Agostinho)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_YC7uVi-fBTk/Ru3EfuxjmUI/AAAAAAAAAOo/3b1nw01sta8/s1600-h/AGOSTINHO.jpg"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5110957201546254658" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_YC7uVi-fBTk/Ru3EfuxjmUI/AAAAAAAAAOo/3b1nw01sta8/s320/AGOSTINHO.jpg" border="0" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;Santo Agostinho (Aurelius Augustinus, 354-430 d.C.) - bispo de Hipona durante trinta e quatro anos e mais importante filósofo do período patrístico - foi um &lt;em&gt;mestre da interioridade. &lt;/em&gt;Sua filosofia insiste na importância do &lt;em&gt;homem interior&lt;/em&gt;, do &lt;em&gt;voltar-se para si mesmo&lt;/em&gt; - na aposta de que a felicidade não pode ser encontrada no âmbito da exterioridade, e sim na esfera da intimidade&lt;em&gt;. &lt;/em&gt;Ou seja, ao inspecionar o seu próprio espírito, o homem transitaria do exterior para o interior onde descobriria - na profundidade do &lt;em&gt;Eu&lt;/em&gt; - o Absoluto, ou seja, &lt;em&gt;Deus&lt;/em&gt;,&lt;em&gt; &lt;/em&gt;verdade íntima em cada indivíduo. Neste sentido, Deus só poderia ser realmente encontrado através de um itinerário introspectivo. Observa-se então a influência que o pensamento de &lt;em&gt;Platão&lt;/em&gt; e sobretudo do neoplatônico &lt;em&gt;Plotino&lt;/em&gt;, pensadores da antiguidade, tiveram na filosofia agostiniana. Para Platão existe um mundo inteligível (de idéias perfeitas) que é o responsável pela existência do mundo sensível (esse em que nós vivemos, onde estão as cópias imperfeitas das idéias perfeitas). Através de uma dialética ascendente o homem - anteriormente preso "à caverna", aos "enganos dos sentidos" - pode se aproximar das idéias perfeitas, tornar-se um filósofo e "se salvar"; isto é Platão. Já para Plotino, o mundo inteligível se compõe de três partes: o &lt;em&gt;Uno&lt;/em&gt; (realidade perfeita, inefável, imutável), o &lt;em&gt;Nous&lt;/em&gt; (inteligência) e a &lt;em&gt;Psique&lt;/em&gt; (Alma). O Uno gera o Nous, que gera a Psique, que gera o mundo sensível, tal como nós o conhecemos. Cada etapa deste processo - emanativo - é denominado &lt;em&gt;hipóstase&lt;/em&gt;. A matéria, privada do bem, é má. Se tudo veio do Uno, tudo deve retornar ao Uno; isto é Plotino. O que há, portanto, na filosofia platônica, neoplatônica e agostiniana é uma hierarquização da existência pela divisão entre mundo superior e mundo material, a noção de que a verdade não pode ser encontrada simplesmente na relação homem-mundo exterior, e a idéia de que o ser humano tende a retornar para &lt;em&gt;aquilo&lt;/em&gt; que lhe originou. Platão - influenciado por &lt;em&gt;Pitágoras&lt;/em&gt; - acredita na teoria da metempsicose (reencarnação, transmigração da alma de um corpo para outro); antes de reencarnar, isto é, entre uma vida e outra, a alma (imortal) teria a oportunidade de contemplar as idéias perfeitas no mundo inteligível, ideal. Ao reencarnar, ao misturar-se com um corpo que acaba de nascer, a alma esquece temporariamente as idéias apreendidas anteriormente na esfera superior; assim, a percepção das coisas sensíveis seria um estímulo à reevocação das idéias inatas. Isto é importante: o mundo exterior para Platão se apresenta como o primeiro passo rumo à verdade, e não como verdade pronta; a verdade - plena - não está &lt;em&gt;fora do homem&lt;/em&gt;, e sim &lt;em&gt;dentro do homem&lt;/em&gt;. Tanto é que, ainda de acordo com o platonismo, o homem tem uma alma onisciente, que tudo sabe, mas ela "se esquece daquilo que sabe"; para Agostinho, Deus é verdade íntima no homem, fundamento primeiro e último do ser. &lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5110957768481937746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_YC7uVi-fBTk/Ru3FAuxjmVI/AAAAAAAAAOw/TtyWHCJLblg/s320/SANTOAGOSTINHO2.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;É preciso, entretanto, salientar as diferenças fundamentais entre Santo Agostinho e seus antecessores. Deus, para Plotino, não cria o mundo - ele &lt;em&gt;emana&lt;/em&gt;; a idéia aqui é de que a partir de Deus vão se originando sucessivos graus de realidade; o mundo sensível constituiria a mais imperfeita dentre essas realidades que são emanadas inicialmente de uma realidade primeira e perfeita. O Deus de Plotino é o Uno, e o Deus de Platão é o &lt;em&gt;Demiurgo&lt;/em&gt;, e eles são deuses impessoais, diferentes do Deus de Agostinho, que é cristão, antropomorfizado, pessoal, misericordioso, que conscientemente cria o mundo, o homem e o tempo. Plotino recebe influências do cristianismo, mas não é um cristão de fato, como Santo Agostinho o é. O conceito de criação é alheio ao pensamento grego antigo. De acordo com Platão e Plotino, o mundo sensível é resultado da emanação de uma matéria informe já existente (e que sempre existiu; isto é: nunca houve &lt;em&gt;nada&lt;/em&gt; porque para o grego &lt;em&gt;nada vem do nada&lt;/em&gt;). O Deus do Bíblia cristã cria - este sim do &lt;em&gt;nada&lt;/em&gt;, tal como está escrito no Gênesis - uma nova realidade. E é neste sentido que a filosofia de Santo Agostinho pode ser considerada um divisor de águas na história da humanidade, pois marca a passagem entre a forma de pensar dos gregos antigos para a forma de pensar dos cristãos. &lt;em&gt;Cria-se, portanto, a noção de criação.&lt;/em&gt; Agostinho viveu na chamada antiguidade tardia (fim do século IV, começo do século V), de modo que chegou a ver o mundo com olhos pagãos (antes de se converter ao cristianismo foi um pagão); por esta razão é possível dizer que foi, de certa maneira, o último homem antigo e - ao mesmo tempo - o primeiro homem medieval; por um lado agrega no seu pensamento aspectos da filosofia antiga e por outro vai separando-se dela.&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_YC7uVi-fBTk/RvAPcOxjmWI/AAAAAAAAAO4/lNjn9LvCi_I/s1600-h/SANTOAGOSTINHO3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5111602554742217058" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_YC7uVi-fBTk/RvAPcOxjmWI/AAAAAAAAAO4/lNjn9LvCi_I/s320/SANTOAGOSTINHO3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Há na filosofia agostiniana uma relação de harmonia entre &lt;em&gt;Fé&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Razão&lt;/em&gt;; a fé não pretende amaldiçoar a razão, a razão não pretende desmentir a fé. Seu pensamento propõe uma filosofia teológica e uma teologia filosófica. Um homem não poderia crer se fosse um animal irracional - logo, é a razão que possibilita e explica a fé. Assim, a fé - para o bispo de Hipona - é também razão; não é mera aposta conveniente (como em&lt;em&gt; Pascal&lt;/em&gt;) ou um mero &lt;em&gt;lançar-se&lt;/em&gt; (como em &lt;em&gt;Kierkegaard&lt;/em&gt;). Para Agostinho existem duas &lt;em&gt;Razões&lt;/em&gt;: uma precede a fé, e a outra procede a fé. Ou seja, a fé se encontra &lt;em&gt;no meio&lt;/em&gt;. A primeira razão (de abertura) - que ainda não foi iluminada pela fé - dá indicíos de que&lt;em&gt; vale a pena crer&lt;/em&gt;. A segunda razão - já iluminada pela fé - busca entender &lt;em&gt;aquilo no que crê&lt;/em&gt;. A razão possibilita o &lt;em&gt;livre-arbítrio. &lt;/em&gt;Na filosofia agostiniana &lt;em&gt;liberdade&lt;/em&gt; é o uso correto do livre-arbítrio, ou seja, nas palavras de &lt;em&gt;Santo Anselmo&lt;/em&gt;: "querer o que se deve". Observa-se então uma diferença em relação ao conceito moderno, onde liberdade tem o significado de autonomia individual&lt;em&gt;.&lt;/em&gt; Ao dizer "&lt;em&gt;Ama e faz o que tu quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos&lt;/em&gt;", Agostinho anuncia uma liberdade necessariamente presa, atrelada ao amor - condição, para ele, imprescindível na fuga do pecado. Toda forma de liberdade que não tem o amor como pressuposto é, na metafísica agostiniana, escravidão. O uso equivocado do livre-arbítrio é a origem do &lt;em&gt;mal&lt;/em&gt; no mundo - mas este mal não existe em si mesmo e sim como &lt;em&gt;carência de&lt;/em&gt; &lt;em&gt;bem&lt;/em&gt;; o mal é privação, depende da corrupção do bem para se constituir como mal. Adão e Eva não escolheram entre o bem e o mal (não há Sumo Mal), mas sim entre o Sumo Bem (a vontade de Deus) e os bens inferiores (o fruto proibido). Se Deus é verdade íntima no homem, ao se afastar de Deus, o homem se afasta de si mesmo; ao se esquecer de Deus, se esquece de si mesmo. É quando o homem cai em dispersão e vive angustiado. Entretanto, Agostinho alerta que esse afastamento nunca se dá de maneira completa; se um homem ainda existe, é porque Deus continua sustentando o seu ser - e aí reside a esperança. A reaproximação com Deus se daria através de uma trajetória inversa: ao invés de primeiro procurar a si mesmo, dizer "quem eu sou", e somente depois procurar Deus e dizer "quem é Deus", o homem teria de primeiro procurar Deus e dizer "quem é Deus". Para Agostinho, Deus não se afasta do homem, mas o homem é quem se afasta de Deus. Portanto, acredita que se a &lt;em&gt;criatura&lt;/em&gt; - despida de orgulho - for capaz de dizer quem é o seu &lt;em&gt;Criador&lt;/em&gt;, o Criador poderá - por fim - pegar esta criatura no colo e dizer quem ela é.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Sero te amavi, pulchritudo tam antiqua et tam nova ("Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova"). &lt;/em&gt;(Santo Agostinho)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Ficam como dicas de leitura, além - obviamente - das obras do próprio Agostinho, os livros &lt;em&gt;Introdução ao Estudo de Santo Agostinho&lt;/em&gt;, de Étienne Gilson (já falecido filósofo francês), &lt;em&gt;A razão em exercício - Estudos sobre a filosofia de Agostinho&lt;/em&gt;, de Moacyr Ayres Novaes Filho (professor de Filosofia da USP), e &lt;em&gt;A Relação entre Deus e o Mal Segundo Santo Agostinho&lt;/em&gt;, de Joel Gracioso (professor de Filosofia do UNIFAI). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SdZcby0ERCI/AAAAAAAAAnU/e0ZPwlYLbmg/s1600-h/RAFAEL.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SeiUpvuwz0I/AAAAAAAAAnc/XYeQ4C6C5BE/s1600-h/RAFAELPOEIRA2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325670004273762114" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 62px; CURSOR: hand; HEIGHT: 79px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SeiUpvuwz0I/AAAAAAAAAnc/XYeQ4C6C5BE/s200/RAFAELPOEIRA2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Rafael Issa é graduando em Filosofia na Universidade de São Paulo (USP) e formado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-2551708671351382127?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/2551708671351382127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=2551708671351382127&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/2551708671351382127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/2551708671351382127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/04/um-pouco-de-filosofia-questao-da.html' title='Um pouco de Filosofia - A interioridade no pensamento de Santo Agostinho'/><author><name>Rafael Issa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13810598787788140553</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='01388661518050584112'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SeiUpvuwz0I/AAAAAAAAAnc/XYeQ4C6C5BE/s72-c/RAFAELPOEIRA2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-8853446005107675101</id><published>2009-05-10T05:28:00.000-07:00</published><updated>2009-05-26T03:33:30.818-07:00</updated><title type='text'>As lacunas no Congresso e ampliação de poderes do STF</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Outro dia estava conversando com um colega meu sobre algumas situações vividas no mundo da política nestes últimos anos. Ele dizia: "Por que o presidente não faz isto? Por que ele não manda os caras fazerem? Ele é o presidente, oras!!!". Este tipo de discurso é comum em muitas pessoas e eu mesmo sou influenciado por ele em diversas ocasiões. Quando as coisas não saem da maneira como acreditamos que deviam sair quando o assunto é política, tendemos a "descer a lenha" no chefe do executivo, sem perceber que a Administração Federal é composta por três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) independentes e harmônicos entre si segundo a Constituição de 1988. Para se governar é necessário que exista uma confluência de idéias e interesses destes poderes. Infelizmente, uma situação inusitada envolvendo o Congresso Nacional (Lesgilativo) e o Supremo Tribunal Federal (Judiciário) tem ocorrido. O processos que envolvem as atividades legislativas são complexas, lentas e que, com o agravante de possuírem, entre senadores e deputados, pessoas sem a mínima condição, não tem dado conta de aprovar leis sobre os direitos fundamentais, causando como conseqüência uma ampliação de poder do Supremo Tribunal Federal, que precisa decidir sobre questões que não estão amparadas em lei, o que em minha opinião é extremamente negativo para a democracia brasileira, apesar da confiança e do respeito que possuo pelo STF. Segue abaixo matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo do dia 03 de Maio de 2009 (Brasil - página A4).&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="center"&gt;----- // -----&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;OMISSÃO DO LEGISLATIVO DÁ ESPAÇO À 'SUPREMOCRACIA'&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;LENTIDÃO NA APROVAÇÃO DE LEIS SOBRE DIREITOS FUNDAMNETAIS DIMINUÍ PODER DO CONGRESSO&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Especialistas analisam que atuação do STF pode causar prejuízo à democracia por alterar a responsabilidade constitucional de cada poder&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ana Flor e Flácio Ferreira)&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;A revogação da Lei de Imprensa e o início do julgamento de ações sobre o sistema de saúde nacional, promovidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na última semana, mostraram que a lentidão do Congresso em aprovar leis que regulamentem direitos fundamentais está custando ao Legislativo perda de poder. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;O vácuo criado pelos legilsadores vem permitindo ao STF ampliar cada vez mais sua esfera de atuação instituicional. Cidadãos têm procurado na Justiça a solução de problemas ou a garantia de direitos não guarnecidos em lei - cujos projetos muitas vezes estão empacados no Congresso por décadas. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Foi o caso da Lei de Imprensa, criada em 1967 durante o regime militar. Após a Constituição de 1988, diversos projetos para modificar a lei foram propostos no Congresso, mas a decisão de revogar o texto legal só veio do STF na quinta-feira. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Nem mesmo as questões de políticas públicas na área social estão fora do alcance do tribunal. Ante as dezenas de milhares de ações judiciais sobre o direito à saúde - principalmente de acesso a medicamentos - em trâmite no país, o STF resolveu decidir coletivamente os processos relativos ao tema e para isso está realizando audiências públicas . Os julgamentos do tribunal nessa área poderão ter grande repercussão no sistema de saúde do país. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;"Poder não admite vácuo", diz a professora do mestrado em direito da Universidade Estácio de Sá (RJ) e especialista em ativismo judiciário Vanice Lírio do Valle. Segundo ela, parece que o Legislativo prefere o "ônus da inércia" do que o ônus de desagradar parte do eleitorado com decisões polêmicas. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Entre os assuntos controversos que estarão nos próximos meses na pauta do STF estão a união de pessoas do mesmo sexo e o aborto de fetos anencéfalos. A expectativa no STF é que o tema da união homoafetiva seja julgado até o final do ano, em um processo em trâmite na corte. Já a questão dos anencéfalos pode ser apreciada ainda neste semestre pelos ministros do tribunal. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;"Diante do comportamento do Legislativo, demorou [para o STF decidir tomar a frente em questões não abarcadas em lei]. O STF aguentou um bocado", diz Vanice do Valle. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;A corte já chegou a declarar expressamente a omissão do Legsilativo na elaboração de leis que estavam previstas pela Constituição Federal, como o caso do direito de greve dos servidores. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Nessas situações o STF comunicou oficialmente o Congresso sobre as lacunas, mas os temas continuaram sem definição no Legislativo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Lacuna &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;O próprio Legislativo já se manifestou sobre o assunto. Em março, um grupo de deputados federais, ao justificar um projeto de lei sobre união de pessoas do mesmo sexo, reconheceu que a "omissão legislativa gera profunda perplexidade no tecido social, sendo esta cotidianamente resolvida por via judicial", escrevem eles. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Oscar Velhena Vieira, professor da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, afirma que o país convive hoje com uma "supremocracia", uma vez que nos últimos anos o STF ampliou seu poder sobre as instâncias inferiores do Judiciário, e está atuando nas lacunas deixadas pelo Legislativo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;"Com a omissão do Parlamento em tomar decisões sobre questões fundamentais e a perda da autoridade moral do Congresso, há uma expansão dos demais poderes", diz ele. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;"Tradicionalmente, no Brasil, essa expansão era do Executivo. A partir dos últimos quatro ou cinco anos, o Supremo passou a ser o poder que mais expande sua autoridade. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Segundo o especialista, um dos problemas é a seletividade do STF sobre o que vai ou não ser objeto de análise. "Ou a corte entende que no vácuo do Lesgilativo ela tem que funcionar, ou ela não entende isso. Ela escolher 'aqui eu vou ser ativista e ali eu não vou ser' é preocupante, afirma Vanice do Valle. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Efeito negativo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Fábio Wanderley Reis, professor emérito da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), diz que a atuação do STF pode ter efeitos negativos a longo prazo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;"Na omissão do Congresso, é melhor que o Judiciário atue para criar algum tipo de parâmetro legal. Porém, o desejável a longo prazo é que cada poder funcione adequadamente de acordo com o que se espera dele constitucionalmente", disse. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Vanice alerta para os danos à democracia. "O Legislativo é um órgão com representação democrática. Mal ou bem, é no Legislativo que se estabelece o diálogo com a sociedade."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-8853446005107675101?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/8853446005107675101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=8853446005107675101&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/8853446005107675101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/8853446005107675101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/05/as-lacunas-no-congresso-e-ampliacao-de.html' title='As lacunas no Congresso e ampliação de poderes do STF'/><author><name>Marcel Tutui Gianotti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13533897041928800685</uri><email>mtgianotti5@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00065908489349695244'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-7302684560787675138</id><published>2009-05-17T11:02:00.000-07:00</published><updated>2009-05-17T11:38:59.289-07:00</updated><title type='text'>Quando os certos estão errados</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Diz a lenda que um feiticeiro, no intuito de destruir um reino, contaminou a água da população com uma poção que deixava louco quem a ingerisse. Naturalmente, os habitantes enlouqueceram, mas o rei e sua família não, pois tinham um poço particular em seu castelo. Tomado pela loucura, o povo passou a ver os decretos e ações do monarca como atos insanos, e decidiu depô-lo, usando a policia e o exército – que haviam tomado a mesma água contaminada – para isso. O rei não teve escolha e renunciaria, não fosse sua esposa a convencê-lo de que ambos deveriam também beber a água da loucura. O rei assentiu e assim fez, passando a dizer coisas sem sentido, como o resto dos súditos, que então o consideraram sábio e desistiram de depô-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa parábola sobre a perda da sanidade tem um lado mais sutil. É a alegoria de um fenômeno social, onde renunciamos a razão pela aceitação. É o “raio-x” dos consensos, do inconsciente coletivo dissociado da realidade mas insistente em suas convicções; dos absurdos tornados normais e, em última instância, regras. Na raiz do processo, a busca pela "boa troca", a luta interna entre consciência e instinto tribal inerente a qualquer um de nós desde berço. No pólo oposto, a cegueira, a negação da consciência e a imposição dessa negação até que ela se confunda com a própria consciência, ou com a inconsciência, ou ambas. No reino da burrice, razão vira veneno e os razoáveis, parias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia desses, a caminho do barbeiro, estou prestes a atravessar a rua quando sou quase atropelado por uma bicicleta na calçada, e o ciclista fica possesso porque não percebi sua aproximação, ou seja, não olhei para os dois lados antes de me manter na via de pedestres, visto que na atual conjuntura do bairro onde vivo, um ciclista têm prioridade sobre andantes em qualquer lugar, como também tem um motoqueiro, igualmente indignado quando transeuntes não lhes cedem espaço para trafegar pela calçada ou na passarela, onde motos nem deveriam circular. Mas as regras do jeitinho, de tão toleradas, viram regras de fato contra as regras da lei. Infratores se tornam vítimas e vice-versa, e, pior, com a condescendência das maiorias. Tivesse eu levantado a voz contra o ciclista, talvez acabasse como o pai de família espancado com uma barra de ferro por reclamar do motorista que quase o atropelou avançando um sinal vermelho, ou como a mulher cremada viva ao denunciar um ponto ilegal de motoristas de Kombi. Há, claro, nesses casos, além da coerção invisível de costumes que fazem o errado se achar certo no íntimo e ser amparado pelo consenso que nos faz pensar dez vezes (ou nem cogitar pensar) antes de conclamar o estado de direito teórico, a coerção pelo medo, extensão da anterior – o perigo de, quebrado o pacto invisível dos jeitinhos, a política de boa vizinhança entre cidadãos abrir espaço àquilo que está por trás: a lei do mais forte e do "você sabe com quem está falando", reais alicerces dos direitos civis que usam os direitos do papel como meio de legitimação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É costume meu, ao embarcar numa das vans que trafegam pelo Rio de Janeiro, procurar o cinto de segurança dos bancos traseiros, cintos fabricados e adquiridos junto ao veículo pelo dono, e considerados vitais à integridade física do passageiro. Num país desenvolvido, colocá-los, na frente ou atrás, é uma extensão natural de se embarcar num carro. Aqui, se você pede ou procura as peças nos assentos posteriores de uma van, é visto como alienígena por motorista e demais ocupantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ah, cinto? Procura aí. Ninguém usa esse troço não, eu enrolo aí atrás (ou prendo com fita adesiva embaixo dos bancos, ou já os arranquei fora há muito tempo) porque o passageiro se incomoda com eles. Ninguém usa. Fica tranqüilo, parceiro. Ninguém aqui vai bater não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouse fazer queixa e será, no mínimo, expulso do veículo, coisa que um dia me ocorreu sem que ao menos eu reclamasse de algo – o máximo que fiz foi perguntar pelos cintos, e o motorista se ofendeu "cheio de razão", mandando-me sair, afinal, "não mostrei confiança em sua habilidade no volante". Se o taxista aposta corrida na via expressa, não reclame, ou estará atentando contra a qualidade e a masculinidade do profissional, algo tão grave quanto matar uma vaca na Índia. O que são luxos como segurança diante de prerrogativas tão mais sérias?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pense duas vezes também ao se indignar com o toco de cigarro aceso jogado pelo frentista no chão do posto de gasolina, ou quando Zezinho, amigo de João, "tomar a frente dele" na fila onde você mofou tanto tempo. Ambos conclamarão o direito dos costumes ante o óbvio fato de que estão errados, e irão às últimas conseqüências em suas convicções. No fim, poderá ter sido melhor fazer como os outros, calando-se, consentindo, ou, em última instância, tomando para si o ponto de vista do infrator, bebendo a água dos loucos para ter uma vida sã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É evidente que essa questão vai além dos tipos de exemplo que dei. Estende-se a tudo e explica em grande parte porque erramos tanto apesar de avanços e lições humanitárias da história. Incoerências civis, sociais, políticas e ambientais inadmissíveis nos deixam perplexos por fora, embora comumente compactuemos "por dentro" com os mecanismos que as viabilizam; sem saber, sem querer ou sem querer saber, apenas seguindo o fluxo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-7302684560787675138?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/7302684560787675138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=7302684560787675138&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/7302684560787675138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/7302684560787675138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/05/quando-os-certos-estao-errados.html' title='Quando os certos estão errados'/><author><name>Luiz Mendes Junior</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18088033048533637004</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='13384697408591195726'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-2692382135736590551</id><published>2009-05-02T07:10:00.000-07:00</published><updated>2009-05-02T19:52:52.036-07:00</updated><title type='text'>Era da informação</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;5+ lidas do Folha Online às 12:26 de 28/04/2009&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;1. . Xuxa diz que sua altura atrapalha na hora de achar um namorado&lt;br /&gt;2. Mulher é internada com sintomas de gripe suína no Rio; Brasil monitora mais 12 casos&lt;br /&gt;3. Em 1º show de porte, Mallu Magalhães mostra várias facetas&lt;br /&gt;4. Zapping - Christiane Torloni nega advertência&lt;br /&gt;5. Estabelecimentos comerciais foram fechados na Cidade do México; ouça relato&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;“Já passou o tempo em que o tempo não contava.O homem de hoje não cultiva o que não pode ser abreviado.”(Paul Valéry)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A internet causou uma grande transformação em todo o setor de mídia e entretenimento que, desde então, vem se aproveitando de seus benefícios e/ou aprendendo a lidar com seus revezes. De um lado a possibilidade de atingir um grande público e a extrema rapidez na troca de informações, de outro a facilidade que deu à pirataria e também a total incapacidade de ter qualquer controle sobre os seus conteúdos, facilitando a veiculação de materiais pornográficos, a organização de grupos fascistas, ações fraudulentas, dentre outros. Em outras palavras, o uso da internet fica a cargo do discernimento de cada usuário e, de um modo geral, não há ninguém que possa ser responsabilizado pelos seus conteúdos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o jornalismo, em específico, que não lida senão com informações, o advento da internet significou apenas uma coisa: a concretização de um jornalismo “em tempo real”. Ou seja, um terremoto na China, uma ação da polícia federal brasileira no interior da Amazônia ou os resultados das eleições presidenciais na França são notícias que circulam no mundo inteiro tão logo acontecem. Isso acarreta tanto na queda da qualidade dos textos em geral, pois o que importa não é o desenvolvimento dele, mas sim a sua atualidade, quanto na “baixa qualidade” da informação em si, ou seja, sua veracidade e relevância pública e/ou política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;“A informação só tem valor no momento em que é nova. Ela só vive nesse momento, precisa entregar-se inteiramente a ele e sem perda de tempo tem que se explicar nele.”&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;(Walter Benjamin, “O narrador”)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, não devemos ser tão ingênuos e acreditar que a única causa desta situação é a invenção da internet, esta, na verdade, apenas acelerou um processo que vem de longa data. Para Benjamin [no ensaio citado acima] a industrialização ocasionou no destaque da informação e, com isso, o declínio da narração. Enquanto a narração recorre ao miraculoso e traz saberes de terras distantes e da memória coletiva de um povo, dispondo de uma autoridade capaz de ecoar como um pacto formativo compartilhando sentidos e transformando o sujeito, a informação aspira à fidelidade e à universalidade, compartilha fatos explicados, mas que não são capazes de fazer sentido e transformar o sujeito e, de fato, são legadas ao esquecimento quando perdem o seu caráter de novidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, a experiência é lentamente expulsa do discurso vivo e substituída pela novidade, ou pelo sensacionalismo, ou pela curiosidade insólita. De qualquer maneira o jornalismo atual parece ser incapaz de suscitar qualquer reflexão nos seus consumidores, pois ao trazer um fato pronto e acabado, assume muitas vezes um caráter unilateral e de falsa realidade. Embora com isso, se mostre assustadoramente eficaz em mobilizar opiniões e emoções em dada direção, atuando como verdadeiros “formadores de opiniões”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“O ciclo infinito de idéias e ação&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Infinita experiência, infinita invenção,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Traz o saber do movimento, mas não da paz...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Onde está a vida que perdemos vivendo?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Onde está a sabedoria que perdermos no conhecimento?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Onde está o conhecimento que perdemos na informação?”&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;(T.S. Eliot, “The Rock”)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-2692382135736590551?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/2692382135736590551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=2692382135736590551&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/2692382135736590551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/2692382135736590551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/05/era-da-informacao.html' title='Era da informação'/><author><name>Juliana</name><email>noreply@blogger.com</email></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-6831259737010514895</id><published>2009-04-23T05:31:00.001-07:00</published><updated>2009-04-25T17:13:52.139-07:00</updated><title type='text'>Psicologia - Freud e a religião</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SJx0Mfe5AQI/AAAAAAAAAXE/VgpbIsaVlnU/s1600-h/FUTURODEUMAILUSÃƒO.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232184625055990018" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SJx0Mfe5AQI/AAAAAAAAAXE/VgpbIsaVlnU/s320/FUTURODEUMAILUS%C3%83O.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Em tese apresentada no livro &lt;em&gt;O Futuro de uma Ilusão &lt;/em&gt;(1927), Sigmund Freud - considerado o pai da psicanálise - afirma que a &lt;em&gt;religião&lt;/em&gt; é uma &lt;em&gt;ilusão&lt;/em&gt; fruto do inconsciente humano. Ou seja, a fé manifestada no homem que crê possuiria motivações psicológicas e, deste modo, poderia ser cientificamente explicada. Tal argumento é desenvolvido a partir da noção de &lt;em&gt;mal-estar na civilização&lt;/em&gt;; de acordo com o pai da psicanálise, a sociedade civilizada impõe aos indivíduos, através de instituições e regulamentos, um alto grau de coerção e repressão dos instintos essencialmente antisociais e anticulturais. Freud acredita que esse fato psicológico tem importância decisiva para a civilização e descreve o que significaria a ausência dessa coerção instintual: "&lt;em&gt;Se imaginarem suspensas as suas proibições — se, então, se pudesse tomar a mulher que se quisesse como objeto sexual; se fosse possível matar sem hesitação o rival ao amor dela ou qualquer pessoa que se colocasse no caminho, e se, também, se pudesse levar consigo qualquer dos pertences de outro homem sem pedir licença—, quão esplêndida, que sucessão de satisfações seria a vida! É verdade que logo nos deparamos com a primeira dificuldade: todos os outros têm exatamente os mesmos desejos que eu, e não me tratarão com mais consideração do que eu os trato. Assim, na realidade, só uma única pessoa se poderia tornar irrestritamente feliz através de uma tal remoção das restrições da civilização, e essa pessoa seria um tirano, um ditador, que se tivesse apoderado de todos os meios de poder. E mesmo ele teria todos os motivos para desejar que os outros observassem pelo menos um mandamento cultural: não matarás&lt;/em&gt;". As duas pulsões fundamentais descritas por Freud em suas últimas obras seriam o &lt;em&gt;Eros&lt;/em&gt; (instinto erótico) e o &lt;em&gt;Tanatos&lt;/em&gt; (pulsão de morte, violência e destruição).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232183943049684706" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SJxzkyz6puI/AAAAAAAAAW8/Bt5-86r0zkQ/s320/religiosidade.bmp" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;A religiosidade teria uma explicação meramente psicológica?&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Freud acreditava que sim&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Portanto, ao mesmo tempo em que reconhece a necessidade do homem - através da civilização - proteger-se dos perigos implícitos numa total liberação dos instintos, Freud constata que os indivíduos sentem com fardo os sacrifícios que a sociedade civilizada exige. Quanto mais a civilização se sofistica, mais o homem seria afastado de sua condição animal primordial e - conseqüentemente - mais ele sentiria-se desconfortável. O argumento é o de que inicia-se já na infância um processo de fortalecimento do &lt;em&gt;super ego&lt;/em&gt; (aquela "vozinha interna" que nos diz "isso não pode"); o indivíduo se torna um ser moral-social por meio de um conjunto de normas que são internalizadas (processo que não ocorreria amplamente no caso dos neuróticos) e incluem diversos tipos de proibições. Ao estudar a religião, Freud utiliza o mesmo esquema interpretativo anteriormente usado para a compreensão das neuroses obsessivas que – assim como no caso da fé – seriam fruto da repressão instintual. Frustrado e inconscientemente ferido em sua auto-estima, o homem se consolaria com satisfações substitutivas – como, por exemplo, a criação artística e a religião, nas palavras de Freud uma espécie de “neurose obsessiva universal” da humanidade. Neste sentido, sua tese lembra a filosofia do pensador alemão Friedrich Nietzsche (a obra &lt;em&gt;Quando Nietzsche Chorou&lt;/em&gt;, de Irvin D Yalom, faz, embora utilizando-se da ficção, uma aproximação entre os pensamentos de Freud e Nietzsche). Nietzsche também via a arte (ler o post &lt;em&gt;A Arte na Visão de Friedrich Nietzsche&lt;/em&gt;) e a religião como uma "atividade compensatória", embora a primeira em sentido positivo e a segunda em sentido negativo. É justamente a partir da noção de "compensação" que Freud insere o fenômeno religioso. Incapaz de controlar totalmente a natureza que contra nós se ergue "majestosa, cruel e inexorável", o indivíduo reage: reproduz a idéia de Deus, para tornar tolerável o seu desamparo, como uma contraposição às vicissitudes e necessidades da vida cotidiana. Se Deus existe, é porque a vida serve à um propósito mais elevado (onde o bem é recompensado e o mal castigado) e tudo nesse mundo constituiria obra de uma inteligência suprema. Assim, a morte do indivíduo não significaria necessariamente sua extinção, mas sim o começo de uma existência superior. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SJxzF5hhoVI/AAAAAAAAAW0/NMJ7p1TUbS0/s1600-h/Sigmund_Freud.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232183412275650898" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SJxzF5hhoVI/AAAAAAAAAW0/NMJ7p1TUbS0/s200/Sigmund_Freud.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Freud&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;(imagem à esquerda)&lt;/strong&gt; avalia que a função psíquica e inconsciente da religião é "exorcizar os temores da natureza, reconciliar os homens com a crueldade do destino e compensá-los pelos sofrimentos e privações que a vida civilizada impõe". Da mesma forma que os sonhos, a religião serviria ao propósito de satisfação do desejo inconsciente; o desejo de proteção, calcado em um protótipo infantil. Neste sentido, a religião seria uma extensão do instinto de proteção que o indivíduo, na infância, nutre em relação aos seus pais. Este "anseio pelo pai" constituiria o fenômeno religioso e reproduziria na psique humana um deus paternal e misericordioso; instâncias inconscientes voltadas para a busca da segurança teriam iniciado um itinerário de antropomorfização dos processos naturalistas na vida psíquica do indivíduo (e conseqüentemente da coletividade). Freud exprime esta noção ao afirmar que “o homem não transforma as forças da natureza simplesmente em homens com quem possa ter relações análogas às que tem com seus semelhantes, o que não seria conforme à impressão deformante que tem dessas forças, mas confere a elas o caráter do pai, faz dela deuses”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;O pai da psicanálise afirma ainda que “as representações religiosas nasceram da mesma necessidade que gerou todas as outras conquistas da civilização, ou seja, da necessidade de defender-se contra a esmagadora "prepotência da natureza". Soma-se isso à um segundo motivo: "o desejo de corrigir as imperfeições, dolorosamente observadas, da civilização”.&lt;strong&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Em &lt;em&gt;O que é religião?&lt;/em&gt;, o filósofo e educador Rubem Alves sintetiza o posicionamento de Freud ao argumentar que “religiões são ilusões, realizações dos mais velhos, mais fortes e mais urgentes desejos da humanidade. Se elas são fortes é porque os desejos que elas representam o são. E que desejos são esses? Desejos que nascem da necessidade que têm os homens de se defender da força esmagadoramente superior da natureza. Eles perceberam que, se fossem capazes de visualizar, em meio a essa realidade fria e sinistra que os enchia de ansiedade, um coração que sentia e pulsava como o deles, o problema estaria resolvido. Deus é esse coração fictício que o desejo inventou, para tornar o universo humano e amigo. Então a própria morte perdeu o seu caráter ameaçador". Assim, a religião é identificada como ilusão derivada de um sentimento originário e oceânico vivido pela humanidade inteira. Convém explicar o que Freud entendia pelo termo "ilusão"; para o pai da psicanálise, ilusão não significa erro, opinião equivocada que necessariamente contradiga a realidade, mas sim algo que provém do desejo humano. A partir daí, é possível dizer que Freud estava muito mais preocupado em mostrar que a religião é fruto de uma vontade humana, do que propriamente avaliar o valor de verdade das doutrinas religiosas. A psicanálise não avalia a experiência da fé com base nos fundamentos da teologia. Não se indaga a respeito da verdade divina; busca, isto sim, investigar as constantes psicológicas da religiosidade. Deseja compreender que mecanismos psíquicos estimulam o indivíduo – em sua interioridade subjetiva – a crer e, somente a partir daí, interpreta a religião como fenômeno cultural de uma coletividade. Para Freud, o "futuro desta ilusão" seria o seu fim; com o desenvolvimento da ciência, acreditava, pouco a pouco os homens deixariam de lado quaisquer aspirações de cunho teológico.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SfBg9oS8AwI/AAAAAAAAAoM/0JvFZReovqc/s1600-h/RAFAELPOEIRA2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5327864971084432130" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 63px; CURSOR: hand; HEIGHT: 79px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SfBg9oS8AwI/AAAAAAAAAoM/0JvFZReovqc/s200/RAFAELPOEIRA2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Rafael Issa é graduando em Filosofia na Universidade de São Paulo (USP) e formado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-6831259737010514895?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/6831259737010514895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=6831259737010514895&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/6831259737010514895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/6831259737010514895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/04/psicologia-freud-e-religiao.html' title='Psicologia - Freud e a religião'/><author><name>Rafael Issa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13810598787788140553</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='01388661518050584112'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_YC7uVi-fBTk/SJx0Mfe5AQI/AAAAAAAAAXE/VgpbIsaVlnU/s72-c/FUTURODEUMAILUS%C3%83O.gif' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-8463050714963238479</id><published>2009-04-10T19:02:00.000-07:00</published><updated>2009-04-24T08:09:57.312-07:00</updated><title type='text'>O Mito da Hospitalidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Segue abaixo parte do texto "O Mito da Hospitalidade", escrito pelo teólogo Leonardo Boff que tem como referência neste escrito a obra "As Metamorfoses", do poeta romano Ovídio (43 a.C. - 37 d.C). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;-- // --&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Júpiter, o deus criador e seu filho Hermes, quiseram saber como andava o espírito de hospitalidade entre os humanos. Travestiram-se de pobres e começaram a peregrinar pelo mundo afora. Foram maltratados por uns, expulsos por outros.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Depois de muito peregrinar tiveram que cruzar por uma terra cujos habitantes eram conhecidos por sua rudeza. as divindades sequer pensavam em pedir hospitalidade. Mas à noitinha passaram por uma choupana onde moraba um casal de velhinhos, Báucis e Filêmon. Qual não foi a supresa, quando Filêmon saiu à porta e sorridente foi logo dizendo: Forasteiros, vocês devem estar exaustos e com fome. Entrem. A casa é pobre mas aberta para acolhê-los.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Báucis ofereceu-lhes logo um assento enquanto Filêmon acendeu o fogo. Báucis esquentou água e começou a lavar os pés dos andarilhos. Com os legumes e um pouco de toucinho fizeram uma soupa suculenta. Por fim, ofereceram a própria cama para que os forasteiros pudessem descansar.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Nisso sobreveio grande tempestade. As águas subiram rapidamente e ameaçavam a região. Quando Báucis e Filêmon quiseram socorrer os vizinhos, ocorreu grande transformação: a tempestade parou e de repente a pequena choupana foi transformada num luzidio templo dourado. Báucis e Filêmon ficaram estarrecidos. Júpiter foi logo dizendo: por causa da hospitalidade quero atender um pedido que fizerem. Báucis e Filêmon disseram unissonamente: o nosso desejo é servir-vos nesse templo por toda a vida. Hermes não ficou atrás: quero que façam também um pedido. E eles como se tivessem combinado responderam: depois de tanto amor gostaríamos de morrer juntos.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Seus pedidos foram atendidos. Um dia, quando estavam senados no átrio, de repente Filêmon viu que o corpo de Báucis se revestia de folhagens floridas e que o corpo de Filêmon também se cobria de folhas verdes. Mal puderam dizer adeus um ao outro. Filêmon foi transformado em um enorme carvalho e Báucis numa frondosa tília. As copas e os galhos s entrelaçaram ao alto. E assim abraçados ficaram unidospara sempre. Os velhos aé hoje repetem a lição: quem hospeda forasteiros, hospeda a Deus."&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/em&gt;-- // --&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Leonardo Boff, em seu livro "Hospitalidade: Direito &amp;amp; Dever de todos", diz que devemos desenvolver determinadas virtudes para que um novo mundo seja possível, para que uma nova globalização seja estruturada. Todos vivem na mesma "casa" e são responsáveis por cuidar dela. Qual será o momento da superação das imperfeições que leva ao desenvolvimento de tais virtudes? Lembro-me de um professor de história que tive, que dizia que uma das estruturas que mais demoram para ser alteradas em uma sociedade são aquelas relacionadas às crenças e comportamentos adotados pelas pessoas. Até bem pouco tempo atrás, acreditava-se que o 11/09/2001 seria a data que marcaria o início de um novo momento, porém a certeza do engano veio há alguns meses atrás com a eclosão da crise econômica mundial. É fato, o processo de transformação dos povos requer paciência. Basta saber se o planeta aguentará até lá... &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Marcel Tutui Gianotti é autodidata de temas relacionados à sociedade, economia e política.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-8463050714963238479?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/8463050714963238479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=8463050714963238479&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/8463050714963238479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/8463050714963238479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/04/o-mito-da-hospitalidade.html' title='O Mito da Hospitalidade'/><author><name>Marcel Tutui Gianotti</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13533897041928800685</uri><email>mtgianotti5@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00065908489349695244'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4577781626166362463.post-257039623565284970</id><published>2009-03-27T22:03:00.001-07:00</published><updated>2009-04-24T07:47:53.945-07:00</updated><title type='text'>Good morning good morning</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;“O fim está no começo e no entanto continua-se.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nada a fazer. Não por acaso, esta é a fala de abertura da peça "Esperando Godot" do escritor irlandês, Samuel Beckett. Escrita em 1949, nos anos do pós-guerra, em Paris é considerada por muitos uma reviravolta no teatro europeu. A crueza do cenário, composto apenas por uma árvore sem folhas, a falta de ação dos personagens, o rompimento da barreira entre a cena e o público, como, por exemplo, quando Estragon, junto à platéia, diz “Esplêndido espetáculo”, longos silêncios, recursos amplamente explorados pelas encenações atuais, eram ainda novidade quando Beckett os usa.&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;A história da peça é curta e simples, Vladimir (Didi) e Estragon (Gogô) esperam por Godot, personagem que, no entanto, nunca aparece. E o que acontece, então? Nada. “Não há nada pra fazer”, como se fala durante a peça. Os personagens matam o tempo, esperando que a noite caia para que eles possam ir embora e voltar novamente na tarde seguinte, numa eterna espera a Godot, que, supostamente, pode lhes garantir o futuro. Em determinado momento (tanto no primeiro quanto no segundo ato) encontram Pozzo e Lucky, que lhes oferecem uma distração momentânea, “Quase fomos a pique. Reforços, finalmente!”, como diz Vladimir no segundo ato.&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318100267983638210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 233px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_tDMNbHcBEV4/Sc2wBGkTDsI/AAAAAAAAAFA/HSUqXQqm4jc/s320/godot4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os personagens parecem mergulhados em um tempo suspenso, fora da História, embora hajam esparsas menções a anos e acontecimentos passados, eles próprios são dotados de uma memória deficiente, excetuando-se Vladimir, que, por vezes, parece o único realmente lúcido. Sem passado e sem futuro garantido, os personagens ficam abandonados, à deriva, em um eterno tempo presente, condenados à espera de algo que nunca se completa. Daí a estrutura repetitiva da narração, repetindo a mesma fala, os mesmos diálogos, os mesmos tiques nervosos, sem que os personagens percebam, necessariamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;“Estamos sempre achando alguma coisa, não é, Didi, para dar a impressão de que existimos?”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em outra peça de Beckett, "Fim de Partida", são usados os mesmos recursos de suspensão espaço-temporal, de repetição, abordando e aprofundando as relações de domínio apenas esboçadas em "Esperando Godot" por Pozzo e Lucky. Hamm, personagem literalmente central de "Fim de Partida", pois insiste que coloquem sua cadeira de rodas exatamente no meio da sala, atua como o soberano de um reino de destroços. Aqui o desolamento que atinge os personagens é inclusive físico, os pais de Hamm têm as pernas amputadas e ficam dentro de latões, Hamm, por sua vez, é cego e não pode andar e Clov, que é o único personagem dotado de mobilidade física, não pode se sentar. Enquanto que em "Esperando Godot" podemos recorrer a uma esperança débil em meio à espera, em "Fim de Partida" ela já foi totalmente esvaída e resta aos personagens esperarem pelo fim, “Acabou, está acabado, quase acabando, deve estar quase acabando” diz Clov logo no início da peça.&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318100905845839234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 185px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_tDMNbHcBEV4/Sc2wmOyf1YI/AAAAAAAAAFI/LmsWsmRzQeo/s320/fimdepartida.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;Embora em ambas as peças a situação trágica dos personagens seja apresentada vestida de trajes cômicos, Fim de partida é um pouco mais seca e cruel do que a outra. A dupla Didi e Gogô oferece uma dinâmica perfeita e divertida, oferecendo muitos momentos de riso, no entanto a natureza desolada nunca é deixada de lado. Aqui vale a pena observar que nas duas peças podemos tecer esquemas de dupla: Didi e Gogô, Pozzo e Lucky, Hamm e Clov, Nagg e Nell. Todas essas parecem “atreladas” a si, por bem e por mal. Como Vladimir diz para Estragon a certa altura, este é sua última esperança, sem ele estaria perdido e, ao mesmo tempo, ambos dizem se sentir melhor quando se separam. Estragon está a todo momento dizendo que vai deixá-lo, assim como Clov faz a Hamm. Vladimir e Estragon acham prudente não se enforcar, porque o galho da árvore não aguentaria o peso dos dois e só um morreria.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;As relações humanas são, portanto bastante dúbias, ora se assemelham ao inferno sartreano da peça "Entre Quatro Paredes", na qual os personagens estão condenados à eterna vivência com o outro, ora são a salvação, o motivo de sobrevivência do outro. Às vezes parecem meras associações, que os salvam, ao menos, da solidão e do desespero completo, pois não há entre nenhuma dessas duplas uma relação forte de afeto, muitas vezes não prestam atenção no que o outro diz, Vladimir nunca deixa Estragon dormir sossegado, pois se sente sozinho, Hamm está sempre chamando e dando ordens a Clov, que sempre lhe obedece, se perguntando mais de uma vez por que o faz. A diferença é que Vladimir e Estragon ainda têm alguns momentos de afeto, quando se abraçam, quando falam com ternura um com o outro, apesar de esses momentos serem poucos e quebrarem-se sempre, enquanto que em "Fim de Partida" os personagens são tocados por um ambiente mais austero, não se tocam, não se apiedam com o outro. O que parece, na verdade, ligar todos esses pares é uma relação de necessidade, às vezes até mais explícita, quando, por exemplo, Pozzo fica cego e necessita que Lucky o guie.&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes de abordar como tema o tédio, o desespero, a rotina repetitiva que não se percebe como tal, a solidão, a espera, a incapacidade de mudança, Beckett os realiza concretamente como peças teatrais. "Esperando Godot" é a própria espera, a própria repetição, o tédio e a monotonia são o alicerce, a estrutura pela qual a peça se realiza. O segundo ato, em que o leitor já está familiarizado com a situação, parece menos natural do que o primeiro, a esse ponto os próprios personagens se encontram mais irritados, os diálogos parecem mais mecânicos e cansativos e fica cada vez mais difícil preencher o tempo. As situações do primeiro ato se repetem com algumas variações e os personagens, tirando Vladimir, não só não aprenderam nada, como não lembram de nada acontecido no dia anterior. A única esperança em meio à incerteza é a espera por Godot.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;"Estamos no lugar e hora marcados e ponto final. Não somos santos, mas estamos no lugar e hora marcados. Quantos podem dizer o mesmo?".&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É até irônico a atualidade que a peça carrega depois de quase 60 anos de existência. Será que nós mesmos, assim como Didi e Gogô, não estamos nos repetindo eternamente desde então? Não é exatamente essa mesma situação de desamparo que ela quer denunciar? O automatismo, a eterna volta do mesmo, a total falta de um estímulo ou um ideal que garanta, senão a quebra dessas estruturas repetitivas, ao menos algum sentido que perpasse esse aqui-agora monótomo e sem razão de ser. No teatro de Beckett experienciamos o extremo do absurdo, da solidão e do desespero a que a sociedade nos levou em busca de suas satisfações e somos deixados talvez não tão melhores e nem tão distantes dos personagens, mas com uma vantagem: a possibilidade de um despertar para a reflexão e a visão crítica para que talvez algum dia possamos romper com essa situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;"Façamos alguma coisa enquanto há chance! Não é todo dia que precisam de nós. Ainda que, a bem da verdade, não seja exatamente de nós. Outros dariam conta do recado, tão bem quanto, senão melhor. O apelo que ouvimos se dirige antes toda a humanidade. Mas neste lugar, neste momento, a humanidade somos nós, queiramos ou não. Aproveitemos enquanto é tempo".&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4577781626166362463-257039623565284970?l=poeiradeideias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/feeds/257039623565284970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=4577781626166362463&amp;postID=257039623565284970&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/257039623565284970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4577781626166362463/posts/default/257039623565284970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poeiradeideias.blogspot.com/2009/03/good-morning-good-morning.html' title='Good morning good morning'/><author><name>Juliana</name><email>noreply@blogger.com</email></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_tDMNbHcBEV4/Sc2wBGkTDsI/AAAAAAAAAFA/HSUqXQqm4jc/s72-c/godot4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry></feed>